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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

domingo, 18 de outubro de 2020

Poema nº 417 - A Cascata das Águas Furtadas


A Cascata das Águas Furtadas
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


A Cascata que era a Deusa das águas furtadas
Evaporou-se diante do silêncio imperscrutável
Sobrando o penhasco das lágrimas derramadas
Dos que abriram o coração ao inalcançável!

O monte é árido e não faz rimar a primavera
Mas até lá peregrinam sonhadores e poetas
Vítimas do tempo, dessa negação que é severa
Quando a paixão os obriga a serem ascetas!

Antigamente, a queda de água sarava os amantes
Chovia sobre os seus pobres corações rejeitados
Inspirando-os a conquistar as musas distantes!

As almas renovavam-se, e os amores nasciam
Extinguiam-se egos, preconceitos e más energias
E a cascata seria a mãe virgem dos laços que os uniam.




Poema nº 416 - Porque é que os Deuses não enviam sinais?


Porque é que os Deuses não enviam sinais?
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Porque é que os Deuses não enviam sinais
Quando o inexplicável é senhor do destino
Fazendo de nós humanos cobaias triviais
Folhas que sucumbem ao vento repentino?!

Selaram-nos para sempre no Outono existencial
Numa miscelânea de acasos e metáforas subtis
Em que o certo se perde na demanda do irreal
E os adultos renascem nos seus sonhos infantis!

Desde Adão e Eva que nos habituaram ao luto
Mas juro não entender a partida dos inocentes
Daqueles que tornaram o mundo mais impoluto!

Talvez tudo seja explicado por um plano superior
Algo que não esteja ao alcance do homem racional
Se assim for, a dor será, no fim, vencida pelo amor!





Arrangements Photography (Getty Images)

Poema nº 415 - Já vos disse que o vento tem voz?


Já vos disse que o vento tem voz?
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Já vos disse que o vento tem voz?
Que nos conforta nos dias tórridos
Beijando-nos no silêncio da foz
Ricocheteando em dialectos pródigos!

Não sei como ele é rei em vasto auditório
Adulando as praias, cortejando os campos
Galã temperamental sem dom moratório
Que confunde as virtudes dos recantos.

Mas quando se deprime no rigor invernal
Torna-se filho de Thor, aliando-se ao trovão,
E sopra, furtando flores à Natureza patriarcal!

Bastardo e incoerente, escrevem os homens:
O vento não acede a compromissos e tratados
É ele mesmo, genuíno e a força de mil jovens!





Poema nº 414 - As Pegadas dos Deuses Carnais


As Pegadas dos Deuses Carnais
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Decalcam-se as pegadas de Deus
E logo nascem vulcões insaciáveis
Que expelem lava até aos céus
Pintando as nuvens imperturbáveis!

Os trovões rasgam a terra virgem
Chovem labaredas sobre os oceanos
Ventos de cinza que a dor impingem
Sobre o leito dos homens insanos!

A floresta de Adão e Eva cai na extinção
Seremos fósseis embalsamados de Pompeia
E ninguém ficará para contar a provação.

O Apocalipse não foi a receita do Além:
Saiu das falácias dos deuses carnais modernos
Que da sua presunção, fizeram a Terra refém!




Poema nº 413 - Já dormi em cem mundos


Já dormi em cem mundos
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Já dormi em cem mundos
Mas só te encontrei num
Em que soberanos imundos
Não nos deixaram pão algum!

Tentei levar-te para outra vida
Mas enlouqueceste de ansiedade
E quiseste ser a minha foragida
Ancorada no sonho sem piedade!

Sozinho, abandonado pela quântica
Vagueei pelas palavras perdidas
Procurando o tesouro na semântica!

Como se uma esotérica frase em latim
Proferida, fizesse emergir o insólito portal
Que te prometi para driblar a lua de jasmim!




Imagem retirada algures do Google

Poema nº 412 - O Verão também tem dias frios


O Verão também tem dias frios
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


O Verão também tem dias frios
Momentos em que não sais à rua
Para iluminar as mentes dos vadios
Que se aconchegam no manto da lua!

O Sol deprimido pela tua ausência
Chora, debitando poemas nas cidades
Suplica, aguardando a tua clemência
Resguarda-se nos aposentos dos abades!

E tu, surpreendida por tamanha elegia
Adornas-te com um colar de âmbar
E uma túnica vibrante que a todos alivia!

Sais, e voltas a abraçar a luz do dia:
Os "mendigos" retomam as vidas normais
E o Sol regressa ao palácio repleto de heresia!




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://abstract.desktopnexus.com/

Poema nº 411 - Sonho das Almas Renascidas

 

Sonho das Almas Renascidas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Um dia seremos parte da epopeia universal
Não sei do paradeiro do paraíso prometido
Nem do idioma único que será transversal
A todos que retornarem do pó esquecido.

Quando voltarmos, será em forma de sonho
Onde todos viveremos sem o anjo da morte
Dançando por entre as órbitas planetárias
Ou surfando no cometa boémio da sorte!

Descendo à Terra, é como se ela ainda existisse
Seríamos árvores singelas que liberam frutos
Ou corais marítimos que Neptuno seduzisse.

E não sabemos de que afinal somos feitos
Porque a jornada é amante do mistério
E nós, a sua fórmula sem preconceitos.




Imagem retirada algures do Google