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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Poema nº 203 - O Apocalipse da Ciência Humana


O Apocalipse da Ciência Humana
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Não serão os livros religiosos
A decifrar a extinção do Homem,
Mas sim este último,
Que não olhará a meios
Para alcançar a sua ambição!
Os ódios intensificam-se,
O arsenal nuclear desenvolve-se,
A poluição ganha dimensão:
Dizem que é o princípio do fim!
Mas não será a última árvore
Ou o derradeiro rio potável,
Nem sequer o Anti-Cristo,
Que farão silenciar a Humanidade!
Não! Será antes essa Ciência,
Sediada no enclave da arrogância,
Que achando-se senhora do Universo
E das mil e uma torres de Babel,
Enviará mensagens espaciais
Tentando contactar o desconhecido,
E será a partir daí
Que uma civilização extraterrestre,
Então atraída por tais "perícias",
Invadirá a Terra,
Aniquilando a ousadia humana,
E explorando os últimos recursos
Do nosso já adoentado planeta!




Imagem retirada algures do "Google Imagens"

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Poema nº 202 - Sinto falta da tua implicância


Sinto falta da tua implicância
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Sinto falta da tua implicância,
Das brincadeiras que me pregavas,
Dos sorrisos que libertavas
Sem que eu merecesse
Ser contemplado pela tua graciosidade!
Não sei como Deus te fez tão perfeita
Mas admiro-O pelo bom gosto:
Afinal Ele nunca se equivocara,
Agora eu sim,
Porque nunca tivera a coragem
De entrar no teu santuário,
Para assim depositar,
No teu sublime altar,
As rosas do meu olhar,
O vinho do meu comedido coração!
Como não fui digno da tua grandeza,
Resta-me cantar aos Céus,
Glorificando o teu nome mágico,
Para que prevaleça entre as constelações!




Ilustração retirada do Google Imagens

Poema nº 201 - Não consigo ler os teus lábios


Não consigo ler os teus lábios
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Não consigo ler os teus lábios,
Os hieróglifos do teu coração,
Nem tampouco poderei despir
Esse teu manto de venustidade!
Sei que guardas segredos
Que nunca partilharás comigo
Porque o Cupido me renegou,
Castigando a minha timidez
E enviando este meu ser arrasado
Para as profundezas de um poço
Onde o amor é apenas miragem,
Uma metáfora apenas por mim sonhada!
Ali choro porque já não te vejo,
Porque nunca consegui expressar
Tudo aquilo que sentia por ti!
Sinto que te traí,
Porque não fui sincero contigo,
Não te venerei como merecias,
Não te declamei estes versos
À tua frente,
Não te disse que eras a inspiração,
O Sol que me fazia acordar
Todos os dias!
Nem sequer fui leal comigo mesmo,
Porque silenciei o meu sentir,
Por causa de uma lógica racional
Mas logo me arrependi
Porque a razão,
Mesmo com as suas muralhas
Ou celas que trancam o coração,
Não consegue vencer a paixão,
A saudade infinita que tenho por ti!




Foto meramente exemplificativa retirada do Google Imagens

Poema nº 200 - Musa do Sol


Musa do Sol
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Pintaste o cabelo
Com uma cor de ouro
Mais pura do que qualquer lingote!
Esboçaste a tua timidez
Como um morango doce
Que camuflava a tua alvura facial!
À distância,
Farejava o teu aroma rosado
Que me inebriava!
Logo me apercebi que eras diferente,
Meiga e espontânea,
Sem hipocrisias ou mentiras.
Cheguei a pensar que eras uma invenção
Da minha carenciada mente,
Mas não, a tua perfeição era real,
Um doce regalo para os meus olhos!
Mas não consegui despedir-me de ti,
Nem sequer tive coragem de te encarar
Porque o meu espírito foi cobarde
Mas também consciente:
Afinal as musas do Sol
Merecem ser tratadas como princesas
Não pelos comuns mortais
Como eu,
Mas pelos esbeltos deuses terrenos!




Fotografia extraída algures do Google Imagens

Poema nº 199 - Procuro-te


Procuro-te 
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)

Procuro-te...
Por onde sei que não estás,
Reverencio-te...
Mesmo já não sendo teu apóstolo,
Contemplo-te...
No meu mundo tragado pela ilusão!
E mergulhado numa dor imensa
Reconheço esse teu valor
Exponenciado pela tua ausência,
Pelo vazio que invade a minha alma!
Mas de ti guardo as belas recordações
Num arquivo vivo
Onde estão gravadas à entrada
As seis letras
Do teu maravilhoso nome.
A cada Primavera,
Prometo encontrar-te ali
Naquela miscelânea de memórias
Que o tempo partilhou connosco!
Trarei comigo flores,
Mesmo que ali não estejas,
Enviar-te-ei todos estes versos,
Mesmo que não os possas ler,
Coroar-te-ei com beijos húmidos
Mesmo que o teu rosto seja invisível!
Afinal sei que ainda te encontro
Mesmo quando não te vejo!




Wallpaper retirado do Google Imagens

Poema nº 198 - Imploro às planícies


Imploro às planícies
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)

Imploro às planícies
Mais floridas do meu país
Para que sejam calcorreadas por ti,
Mulher, que alugaste o meu coração!
Fingirei ser um arbusto
Disperso por entre os matagais,
Devorado por um instinto selvagem
Que me cega o discernimento!
Assumo a minha ineptidão
Porque desfilas para os musos
Que, junto às árvores,
Te presenteiam com a ternura
Que tu também personificas
Com uma simpatia que te é implícita!
Mas um dia,
Deixei de te ver:
Uma tempestade derrubou
O meu pequeno arbusto,
E com os galhos quebrantados
Pelo chão,
Fui pisado pelo destino!
Mas tu mulher,
Continuas formidável,
Deslumbrante como nunca,
E eu que deixei de ser digno
De te observar,
Jamais olvidarei
O teu perfume irresistível
Que mesclava os aromas
Das flores mais exuberantes da pradaria!




Imagem retirada de: http://docecomoachuva.blogspot.pt/2012/06/retrato-campestre-carlos-pena-filho.html, (retrato campestre de Carlos Pena Filho).

Poema nº 197 - Sobre a Amnésia dos Novos-Ricos



Sobre a Amnésia dos Novos-Ricos
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Consideram-se ricos
Quiçá empresários arrogantes
Conhecedores dos meandros
Onde logram infiltrar os seus interesses!
Assumindo tiques de grandeza,
Destratam os funcionários
Escudando-se na certeza
De que são superiores aos demais!
É tão fácil ser-se chefe,
E não ser-se líder,
É tão simples humilhar os seus serventes,
E tão difícil motivá-los em público!
Em Portugal, nascem muitos novos-ricos,
Que se esquecem das suas origens
E que ignoram o facto do seu sucesso
Advir afinal da soma do trabalho
Certamente incansável e honesto,
Dos seus pobres subordinados!