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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

sábado, 30 de maio de 2015

Poema nº 81 - Fialho, o Prosador da Frontalidade


Fialho, o Prosador da Frontalidade
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Pavoneias o teu bigode de astúcia,
Aqueles teus olhos de exímio falcão
Que as injustiças sociais denuncia,
O teu caminhar pela universal educação!

Folheias os teus escritos de revolta;
A tua coragem submete as nuvens
Derruba os pilares do vil sistema
E a tóxica corrupção envolta.

Retratas as maravilhas do Alentejo:
Pintas o teu próprio país das uvas
Nas proximidades dum lindo pomarejo.

Fialho, imperador entre os jornalistas,
Pelos teus valores, eu choro de emoção,
Não houve quem te superasse na isenção!





Poema nº 80 - Pela paz na Nigéria



Pela paz na Nigéria...
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Desmaiava o dia hipócrita
Desvaneciam as luzes da civilização
Para inaugurar uma noite negra
Longa e impregnada de crispação.

Abatiam-se mulheres e crianças,
Incendiavam-se pobres aldeias!
Tinham exterminado fúteis esperanças
Através do terror que tecia as suas teias.

Idosos debilitados que não escaparam
Nem lograram pôr mão aos seus netos
Torturados pelo ódio que os homens criaram
Despedindo do quotidiano os sinceros afectos.

Outros recorrem a armas brancas e colmeias
Para enfrentar o inimigo da humanidade
Esperando ainda pela ajuda internacional 
Que nunca chegaria neste clima infernal.

Meninas que caem no chão esqueléticas
Sem comida e água para sobreviver
Nem um digno abrigo para se esconder
Daqueles que as raptam e violam indefesas!

Agora todos dizem ser seguidores de Charlie!!!
Contudo fecham os miseráveis olhos às atrocidades
E não zelam sequer pela justiça e demais liberdades
Na Nigéria escravizada que quase já não tem cidades!




Poema escrito após atrocidades cometidas na Nigéria pelo grupo radical Boko Haram e que, na nossa opinião, não foram devidamente tidas em conta pelo mundo ocidental que não reagiu aos acontecimentos com o mesmo vigor que se verificou (e que se impunha) aquando do ataque à revista satírica do Charlie Hebdo. No nosso entender, o terrorismo deve ser condenado com a mesma veemência em qualquer parte do globo. A Nigéria merece toda a paz e amor do mundo, em vez de guerra e fome.

Poema nº 79 - Queria mais do que nunca...


Queria mais do que nunca...
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Queria ver o pôr-do-sol contigo
Desenhar o teu nome na praia
Arquitectar em ti o meu abrigo 
Quando o sol despisse sua saia.

Queria tocar-te com ternura,
Beber as lágrimas de alegria
Que derramavas enquanto cura
Para a minha profunda letargia.

Queria surfar naquelas dunas,
Sim, naquelas ondas de areia, 
Preso ao teu corpo de sereia!

Queria saciar a tua sede de calor
O teu ensejo de auto-realização,
Queria ser o teu mar libertador.




terça-feira, 26 de maio de 2015

Poema nº 78 - A Cidade Afortunada


A Cidade Afortunada
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


O Céu esculpiu uma terra à beira-mar,
Onde anjos edificavam sublimes barris,
Querubins pescavam desde o madrugar
E à noite se recolhiam em barracas hostis!

Mas outros possuíam venustos palheiros,
Coloridos e abençoados pelo mar caridoso
Que se rendeu à arquitectura angelical 
Instituída na praia do aglomerado gracioso!

Não há postais que descrevam a paisagem
Legada pelo labor aprimorado do seu Criador
Que nesta urbe depositou singulares tradições.

O Sol é visita constante ao longo do Verão,
Vem logo espraiar-se no seu faustoso areal,
Mergulhando o luzidio reflexo na maré cordial!






Nota-Extra - Este poema é dedicado à Cidade de Esmoriz.

Poema nº 77 - O Drama da Violência Doméstica


O Drama da Violência Doméstica
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Casas renegadas pela luz da paz
Reféns de quatro paredes sombrias
Que escamoteiam gritos e feridas
Aparentando um silêncio mordaz.

Silvas que se expandem no seu redor
Camuflando os instintos negros do vilão
Que afoga a sua mulher num mar de dor
Sem nunca revelar gestos de compaixão.

A vizinhança cúmplice no dilacerante medo
Aquartela-se na mudez das suas moradias 
Rejeitando a exposição do penoso degredo!

Sem amparo, à vítima só lhe resta morrer
Para encontrar a harmonia derradeira
Por debaixo da terra fria que a viu sofrer.







Nota-extra - É imperioso um combate firme e persistente contra a Violência Doméstica.

Poema nº 76 - Aquele Dia


Aquele Dia
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Recordas-te daquele dia abençoado
Em que os altos montes se abraçavam
Pelas águas cristalinas do rio imaculado
Que milagres de amor reportavam?!

Melros divagavam pelos campos,
Pardais cantavam a deleitável alegria
No calor íntimo dos suaves recantos
Que aos cupidos inspiravam pontaria.

Nos prados imbuídos de melodias
Mantos de girassóis refloresciam
Envoltos de borboletas que sorriam!

Mas os meus olhos galardoados
Só remataram o quadro por completo
Quando nesse dia virgem aferi teu rosto.





domingo, 24 de maio de 2015

Poema nº 75 - Direito de Resposta do Avô do Laurentino Piçarra


Direito de Resposta do Avô do Laurentino Piçarra
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Li o seu anúncio no jornal,
Só conheço o idioma português,
Sou reformado e em fase de viuvez
Não possuo o solicitado perfil paranormal.

Vossa "cagamerdência", procura o topo da perfeição,
A troco dum mísero salário!
Exige um culto e explorado operário
Em cada desempregado submergido na frustração.

Nunca fui bom a Matemática,
Mas a experiência requer décadas de dedicação
E assim proclamo esta verdade enfática.

Detesto a discriminação de sexos e idade,
Valorizo a humildade e honestidade
E abomino o patronato sem visão!