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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

domingo, 18 de outubro de 2020

Poema nº 410 - Matriz Viking


Matriz Viking
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Desde o templo de Upsália
Thor lima as espadas
Odin glorifica os sacrifícios
Freia esparge o amor mágico,
E os fiordes rasgam
Os montes gélidos
Carregando a mística de Valhala
Que se imiscui no ambiente
Propagando a coragem
Pelos guerreiros indomáveis!
Homens e Mulheres
Ultimam o banquete dos deuses
Mas que venham primeiro
A adrenalina do combate
E as aventuras no estrangeiro!
Ragnar saqueia,
O rei Horik almeja o prestígio
E Leif Ericsen navega no desconhecido,
O drakkar é a serpente predadora
Que domina mares, rios e oceanos!
Troçando do Anjo da Morte,
Todos eles procuram as tempestades
Para que as sagas nórdicas dos escaldos
Se lembrem da sua ousadia para sempre!
Quando o tempo voltar para trás
Renascerão na sua Escandinávia
Por entre o nevoeiro pagão
Fintando as árvores e runas mágicas
E cantando até ao infinito
Derretendo todos os glaciares,
E quando isso acontecer
Lograrão remar para fora do planeta
Vencerão o impossível
Uma vez mais!
Só que, desta feita,
Encontrarão os seus deuses
A cear na imensidão do Universo.





Imagem retirada da Série Vikings

Poema nº 409 - Água Benta do Céu


Água Benta do Céu
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Um dia, faremos milagres
Criaremos uma água benta mágica
Que ficará alojada nas nuvens
E depois...
Surpreendentemente:
Choverão partículas ou moléculas
De propriedades mágicas
Que sararão feridas humanas
Fazendo rejuvenescer o planeta!
Os terrenos queimados serão reflorestados
Os rios correrão cristalinos
As emissões nocivas serão contidas
A matéria pura logo se regenerará
Sempre que algo tente corrompê-la!
O cancro e as radiações cairão no oblívio
A resignação depressiva será antagonizada!
Homens, animais e natureza
Receberão por igual o dom,
Não haverá exclusões
E todos venerarão os céus e as nuvens!
Pouco mais sei sobre essa era
Mas quando vier,
E se vier,
Deixaremos de fugir da chuva
Ou do desconhecido,
Seremos príncipes e súbditos
No império dourado derradeiro
Onde seremos curandeiros de nós próprios
E tutores do equilíbrio perfeito.





domingo, 28 de junho de 2020

Poema nº 408 - Indulto da Auto-Estima


Indulto da Auto-Estima
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Os céus indultam os órfãos da sorte
Após as barricadas do quotidiano
Que os convergem para o desnorte
Como notas dum descontrolado piano!

Purgam-se as virtudes e os sonhos
Semeiam-se espirais de impotência
E os querubins harpejam sons enfadonhos
Sem lhes consagrar qualquer deferência.

O segredo é a anarquia das constelações
A renegação da vaga idolatria do sucesso
O abraçar espontâneo das provações!

O sol molda-nos como sãs fortalezas
Pedras impenetráveis do destino
Imunes ao porvir das incertezas!





 Imagem meramente exemplificativa retirada de Deposit Photos

Poema nº 407 - Voluntariado Genuíno


Voluntariado Genuíno
(Soneto da autoria de Laurentina Piçarra)


Intuo-me na poncha de sangria:
Qual é a cor que refaz a tua alma
Quando te dedicas à filantropia
Descartando os holofotes da fama?!

Vozes ecoam pelos salões da elite
Quantos se gabam do seu mecenato
Com o glamour que se lhes permite?!
As esmolas sociais projectam o aparato!

Atolados em riquezas, dizem-se generosos
Articulam discursos florais para os aplausos
E banqueteiam os seus umbigos desejosos!

Mas tu, não: nas zonas esquecidas do mundo
Doas afectos, comida e abrigo aos pobres
Exoneras a tua identidade, o ego infecundo!




Imagem retirada da Agência Lusa (veja-se também: https://www.jm-madeira.pt/)

Poema nº 406 - Universo Racional


Universo Racional
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Se nunca existíssemos
Não haveria universo
Nem tempo ou espaço,
Nada se daria a conhecer!
O que importaria a matéria
Se fosse retalhada de insignificância?
Ou que as estrelas estivessem ausentes
Da apreciação racional?
Que o mundo fosse mundo
Sem albergar a poesia da vida
Os batimentos emocionais
E os templos sãos da Natureza!
Não sei o que a morte nos reserva
Mas vivi para conhecer uma realidade
Um excerto das crónicas eternas
Desse universo em expansão.
Se não tivesse chegado até aqui
Não poderia pensar sequer
E se pensasse nesse vazio dormente,
Não acreditaria em tal milagre!
Vivemos para morrer
Mas não morreremos sem primeiro viver,
E todos temos uma história
Por escrever e contar.
E o que é então o mistério da vida?
Será que o Universo é cego e mudo?
Que somos os anjos que o engrandecem?
Quem depende de quem?





Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google

Poema nº 405 - Esferas e Cilindros


Esferas e Cilindros
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Nada sei sobre gravidade e matemática
Não herdei o dom de Arquimedes
Nem nunca calculei a Circunferência da Terra
Como Erastótenes de Cirene!
No silêncio das esferas e cilindros,
Sentimentos circulam em espirais
Sem encontrarem uma saída
Porque tudo vai e volta
Como se não houvesse fim,
Mas como em tudo na vida
Há esferas incompletas
Cilindros com aberturas
Memórias artificiais
Oriundas do Nada
Que por ali ecoam
Traindo a geometria natural
Daqueles que traçam curvas íntegras
Laborando na matemática pura
Das verdades que nos sentenciam,
E por muito que fujamos do globo,
Ou da nossa esfera interior,
Pouco poderemos mudar,
Somos o que somos,
Mesmo que nos mintamos
A cada dia que passa
Até porque a geometria inacabada
É fácil de desvendar,
Mas quase impossível de completar
Quando não ressuscitamos a cada dia!




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://pt.aliexpress.com/i/32864111927.html

Poema nº 404 - Poeta do Bom Vinho


Poeta do Bom Vinho
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Poeta que é poeta
Bebe vinho, e do melhor,
Seja em cálices de pedra
Ou da mais modesta madeira,
Ritual que aquiesce labaredas
Inebriantes aos desejos das almas,
Que anseiam pelo significado maior
Da sua efémera existência.
A escrita tem de ser ardente
Sentida pelos prazeres de Baco,
Abraçada na anarquia do desconhecido,
Expressa ao mais ínfimo contacto
E cada verso tem de ser como um gole
Suave mas determinado
Que ouse tragar o líquido tinto
Combustível que no corpo desponta
Lavrando fogueiras de amor!
Vinhos existem para todos os gostos
Rótulos cada um os emoldura
Tudo é subjectivo para o provador
Que depois de um copo cheio,
Absorve o perfeito e o imperfeito,
Perdendo-se entre as metáforas
Da sua insigne poesia.





Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google