Joaquim Promessas
(Poema humorístico da autoria de Laurentino Piçarra)
Ó povo,
Acordai rapidamente!
Vem aí na sua lambreta,
O Joaquim Promessas,
Presidente da Aldeia,
Vulgo mentiroso compulsivo
Que do demónio recebeu remessas!
Ele atira alegremente "notas" para o ar,
Mas afinal são apenas notas de papel
Onde consta o seu programa eleitoral
A sua lábia execrável e infiel!
Na sua caravana partidária,
Os seus amigos "lambreteiros" vêm todos atrás,
Agitam bandeiras rotas,
Esboçam sorrisos hipócritas,
Entregam canetas com o nome do presidente,
Que, à semelhança deste último,
São do tempo do Jurássico Park,
Gastas e acabadas,
Incapazes de pôr o preto no branco!
Mas as velhinhas da aldeia
Andam todas doidas com o cio,
Abandonaram logo as depressões
Para se renderem ao charme do Joaquim!
Lá vão elas com o seu "bigode" gótico
Dar uma beijoca no seu presidente,
E ele responde sempre - "presente"!
É assim a caça ao voto do Joaquim,
Presidente há 20 anos
Com mandatos multifacetados:
Ora Governa para ele,
Ora Governa para a família dele,
Ora Governa para as velhas amantes!
Oh! Dizem os seus acérrimos defensores
Que para combater a desertificação da aldeia,
Criou um bordel de natalidade,
Diz ele que foi uma iniciativa com originalidade,
Um projecto messiânico para salvar o futuro da aldeia,
Além de alavancar a sensualidade do mulherio!
Os seus apoiantes gabam a aposta na gastronomia local:
Com os seus dotes culinários, o chef Joaquim Promessas
Cozinhou os melhores pratos aos amigalhaços,
Cedeu-lhes os tradicionais tachos da política!
Caramba - Como eles estão gordos!
Até o saudoso Buda seria magro ao lado deles!!!
O Joaquim Promessas também tem um bom coração,
É altruísta como poucos,
Ofereceu trocos a um polícia para não ser multado,
Acabou com a miséria na sua aldeia
Ao convidar os sem-abrigo a rumarem para outras terras,
E empregou gente nova no seu negócio reprodutivo!!!
Outros vêem-no ainda como um homem culto
Por atribuir condecorações da arte "bordelesca"
Às mães dos presidentes das freguesias vizinhas!
Brum... Brrrumm.... Brruuuuuummmmm
Como acelera, o político vaidoso na sua lambreta,
Vai em velocidade proporcional ao aumento da carga tributária,
Acena a todos em cada ruela,
A fanfarra curiosa segue atrás do cortejo!
Entretanto, Joaquim arriba à praça da terra,
E acompanhado do seu apelido - Promessas,
Ascende triunfante a um palco central
Para proferir com ênfase o seu discurso!
Oh! Ele diz que vai acabar com o desemprego,
Apoiar as colectividades que sejam lucrativas,
E construir um hospício para os seus opositores!
Não, não pode ser normal dizer-se mal do Joaquim Promessas!!!
Todas as eleições anteriores confirmaram sempre essa premissa.
E eu, Laurentino, que escrevo este poema, sofro dessa negação,
Dessa patologia demente que me corrói!
Sou louco porque não sou como a maioria popular
Que é fiel ao infiel,
Que presta vassalagem à mentira,
Que se vende por poucas moedas,
Que vota no desconhecido!
E que dizer do futuro?
Eu talvez num hospício isolado do mundo,
E o povo ainda vendado pelos Joaquins, Serafins e afins.
Será justo!
Imagem retirada de: https://carlosromeira.wordpress.com/2015/06/12/os-politicos-sao-uns-mentirosos/

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