O Síndrome de Nero
(Poema livre de Laurentino Piçarra contra a vaidade da classe política portuguesa)
Ó Nero,
Tu não só incendiaste Roma
Como arruinaste as almas dos políticos,
Tornando-os narcisistas diante dos espelhos,
Vaidosos e convencidos da sua supremacia!
Ó Nero,
Tal como tu, eles sentem-se deuses pagãos,
Adoram ser adulados pelos seus pajens,
Recompensam os seus senadores leais
Com ninfas, tesouros ou poderes ocultos!
Ó Nero,
Esses patifes agora aderiram à modernidade,
Andam atrás da fotografia e do protagonismo
E teclam nas redes sociais da mexeriquice,
Para falsificarem ao povo a sua "magnificência"!
Ó Nero,
Nem sequer tu usufruías de carros topo de gama,
Ou de motoristas gratificados a peso de ouro!
Se calhar, os teus cronistas foram mais severos
Do que os nossos que consentem esta afronta!
Ó Nero,
Ao menos, tu só eras louco, e não hipócrita,
Sei que não toleravas os princípios cristãos,
Mas estes dissimulados de agora também não,
Só vão à missa para aparecer na televisão!
Ó Nero,
Não tenhas remorsos, come umas uvas,
Sorri aos vistosos gatos que te rodeiam,
Pega no teu pequeno espelho de ouro e diz:
- Haverá alguém mais lindo do que eu?
Imagem retirada de: http://kid-bentinho.blogspot.com.br/2013/08/10-incriveis-curiosidades-sobre-os.html
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