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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

domingo, 20 de dezembro de 2015

Poema nº 155 - O Dilema do teu Moinho



O Dilema do teu Moinho
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Vi-te no moinho da eterna saudade,
Almejei deflorar os teus sentimentos
Mas fui vítima do rio da negatividade
Que me fundeou nos seus lamentos.

Lembro-me da tua cara como do Sol,
Sinto-te desde que possuo coração,
Eras o meu porto, o mais belo farol,
O verbo que me negaria a perdição!

Mas o impiedoso destino separou-nos,
Furtou-nos os nossos ardentes luares,
Os beijos rimados dos nossos olhares!

Agora neste papel de "órfão" resignado:
Resta-me mirar o teu moinho guardião
Véu que oculta o teu tesouro desnudado!




Foto da autoria de Joaquim Rios



Nota-extra Adoptei o termo "órfão" (em vez de solteiro) porque me refiro também ao destino frívolo que me havia sido reservado. Fui órfão dum destino que me fez abandonar o amor...

Poema nº 154 - O Verdadeiro Sentido do Natal


O Verdadeiro Sentido do Natal
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


O Natal é magia que advém do amor,
É vento de paz que entra pelas janelas,
É neve rara que nos aquece o interior
É neblina fugaz que oblivia as querelas. 

É quadra que dispensa trajes de luxúria,
Prendas afilhadas do vil materialismo,
Ou mitos capitalistas como o Pai Natal,
Que nos seduzem para o mero cinismo!

Jesus nasceu no berço da humildade,
Na vontade de ajudar os carenciados,
No almejo de semear a generosidade.

A sua luz é parte intrínseca do altruísmo:
É a Estrela de Belém que a todos guiará,
Musicando na pauta natalícia notas solidárias.




Imagem retirada de: https://flawegmann.wordpress.com/

Poema nº 153 - Buraco Negro


Buraco Negro
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)
  

Ao longe, enxergo o desconhecido,
Esse mistério que a todos atormenta
Com o seu reino de luto adormecido
Que, às almas, o vazio experimenta!

A sua leve indiferença semeia receios
Sintomáticos da nossa vulnerabilidade
Da nossa nascente que jorra devaneios
Crenças controversas na imortalidade!

E esse buraco negro é a contradição
De tudo em que eu sempre acreditei,
É um oceano de poeira em negação!

Nunca desisti de procurar a luz pura,
Mas o profundo silêncio do Cosmos
É expressão do seu criador gótico.





Poema nº 152 - Aguda, meu mar de saudades


Aguda, meu mar de saudades
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Aguda,
As minhas lágrimas
São gotas da tua chuva:
São torrentes de nostalgia
Que vagueiam por entre as esquinas
Bastiões do teu perfume de maresia
Que amansam as agruras do espírito!
Na tua praia, repousam os barcos,
Esses fiéis servidores dos pescadores
Que nas mais adversas intempéries
Afrontam a fúria dos deuses helénicos!
Em ti, Aguda, rainha-mãe do heroísmo,
Renasce aquele espírito aventureiro ímpar
A sede de glória de Ulisses em alto mar,
A coragem de Antígona face à tirania,
A energia colossal de Hércules!
Oh! Aguda, eu por ti choro de saudades:
Pelas musas que ocultas nas tuas dunas,
Pelos imponentes castelos de areia que ergueste,
Pelos enigmas que só aos teus olhos são inteligíveis!
Quando estou deprimido, lembro-me das tuas ondas
Dos teus recantos paisagísticos, das tuas gentes,
Desse privilégio abençoado pela tua suprema sabedoria
Que seca as fontes de dor dos meus olhos
Dotando-me de um rejuvenescido sorriso solarengo!






Foto da autoria de Joaquim Oliveira (in Panoramio)

Poema nº 151 - Paixão Natural


Paixão Natural
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)

Mulher, queria passear o nosso amor
Embalado pelo aroma dos eucaliptos
Pela chuva que nos beija com primor,
Pelo universo que nos incute equilíbrio!

As folhas voam intrépidas em Outubro,
Ofuscando os nossos modestos corpos
Que jazem unidos por entre os arbustos
Perfazendo um coro de gemidos rubros!

Rendo-me aos teus caracóis dourados,
Ao aceso reluzir dos teus olhos inocentes
Que moldam os nossos sentires enlaçados!

E ao anoitecer, contemplemos a meia-lua,
Que já alberga nesse seu longínquo berço,
A alma que, da nossa fusão, há-de nascer!




Imagem retirada do Site do Youtube

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Poema nº 150 - A Presunção do Falso Devoto



A Presunção do Falso Devoto
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Lá vai o Idalécio à eucaristia:
Com uma fatiota extravagante,
Benzendo-se com água benta
Nesse seu caminhar elegante!
Só pode ser um "bom cristão"!

Diz ele que não tem pecados:
Toma logo a hóstia abençoada,
Ignorando do padre os recados
Para uma existência regrada. 
Só pode ser um "bom cristão"!

O Idalécio é chefe de família
Mas alberga um rol de amantes:
Adúlteras de almejos errantes
Que o tornam mouco na homilia!
Só pode ser um "bom cristão"!

O devoto sovou a sua esposa,
E agora reza uma Avé Maria 
Exibindo um olhar de raposa 
Que veicula uma falsa empatia.
Só pode ser um "bom cristão"!

O Idalécio injuria a comunidade
Com o seu leque de difamações,
E finge na igreja uma caridade 
Resumida a míseros tostões!
Só pode ser um "bom cristão"!

O padre enerva-se na missa 
E denuncia os falsos crentes
Que vivem das aparências
E dos descaramentos latentes!
E, no final, até o Idalécio remata:
"Há tanta hipocrisia neste povo".





Poema nº 149 - Sonho da Depressão Ardente



Sonho da Depressão Ardente
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Os meus olhos são uma fogueira,
Fazem arder chamas de desilusão
Disseminando cinzas de cegueira 
Pelo solo árido e sem compaixão!

Nos meus sonhos, visito o vazio:
Esse nada que é o meu paraíso,
Essas sombras, cúmplices do frio,
Que me servem de mero improviso!

Nesse "refúgio", não reside a dor,
Nem sequer a violência atrofiante:
Essa miragem mundana do desamor.

Mas quando acordo para um dia de luto:
O vento imprime um ritmo incessante,
Deixando a minha mente sem reduto!