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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Poema nº 185 - A Fúria Romântica do Deus Neptuno


A Fúria Romântica do Deus Neptuno 
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Neptuno,
Juro que nunca percebi a tua fúria,
Essa tua raiva que despoletas a cada Inverno,
Fazendo levantar as ondas do Furadouro,
Através do tridente que ostentas na mão!
Porque levas vários pescadores ao desespero?
Porque semeias a aflição em diversas famílias?
Porque não proteges tu a costa do concelho de Ovar?
Não serás tu o deus dos mares e das nereidas?
Não gostas da escultura que te dedicaram naquela cidade?
O que faz colapsar a tua sensatez?
Divaguei por entre estradas, ruelas e calçadas
Para encontrar uma resposta a estes dilemas,
Mas a chave do enigma se achava numa praia,
Num areal banhado pela ria de Aveiro,
Num lugar pacato a que chamam Praia do Areinho:
Ali residia a nova paixoneta do deus romano,
Uma musa que, a cada noite, emergia de entre o lodo da ria
Para depois se enrolar nua pelo areal
Liberando um olhar doce às estrelas do Universo!
De olhos verdes, ela era a perdição do Deus Neptuno,
Era o verbo que apoquentava o seu coração
Mas ela resistira às malogradas intenções de Neptuno
Que sofreria um tremendo desgosto amoroso,
Uma paixão não correspondida,
E por isso, desde então,
Este novo deus-poeta revoltado com tudo e todos,
Versa em alto mar ondas enormes de frustração!
Percebera finalmente após milénios de existência
Que o amor é mais importante do que o poder,
Podendo salvar o rumo de várias vidas
Ou enviá-las, em caso de ilusão, para um abismo sem fim!




Foto antiga do Chafariz Neptuno em Ovar 
Retirada do Jornal-Blogue "João Semana"

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