Queria perder-me no abstracto
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)
Queria perder-me no abstracto
Ser plural no seio da imensidão
Esquivando-me a qualquer retrato
Que definisse uma cruel precisão.
Não quererei alojar-me no concreto
Ou numa clausura de sentimentos
Como um monge norteado por decreto
Por cantos gregorianos de lamentos!
A felicidade supera qualquer barreira
Impele-nos à anarquia sã do desejo
À veneração pagã da arte pioneira!
E nesse culto de pendor selvagem
Renasceria para o fruto verdadeiro
Para a vitalidade da minha paisagem!

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