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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Poema nº 253 - O Imperador do Tempo


O Imperador do Tempo 
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Correm as brumas no horizonte
Perfumando de angústia
O meu espírito solitário.
Não sei a que rei obedeço
Ou a que princesa hei-de amar.
O tempo vai passando
E o destino é imperador:
Nada o poderá vencer
Ele acomoda-se no seu trono,
Bramindo a espada de excalibur
E ostentando o livro do universo,
Tudo o que ele dita
Não é lei, mas facto verificado.
Todos somos cobaias
Da sua autocracia feudal!
A este vulgo gladiador
De proveniência aldeã,
Que entoa a canção de Rolando
Para recordar cada sacrifício diário exigido
O destino torturou-o até à exaustão,
Decepando almejos amorosos
E arruinando sonhos sucessivos!
Mas para quê lutar?
Já que o futuro afinal a ele pertence?
E a minha agonia sufocante
Derivada da minha impotência mundana
É fruto do seu poder opressor!




Poema nº 252 - Cortina de Fumo


Cortina de fumo
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Dissipa-se mais um pedaço
Do meu coração platónico
Perante uma cortina de fumo
Que o cobre gradualmente.
O negro apodera-se do vermelho,
A indiferença vence a paixão,
E eu que sonhei beber dos teus lábios
Durante 1001 noites,
Regresso agora à realidade
Onde tu és um mero sonho
E eu, um Romeu sem Julieta,
Que viverei sem ti,
Assistindo ao martírio
Dos meus genuínos sentires!
Sei que não estás ao meu alcance
E por isso, descomprometo-me
A amar-te perdidamente
Porque sei que nunca me olharás
Como teu príncipe!
E como um dia não te verei mais,
Deixo-te um beijo suave no rosto,
Uma rosa fulgurante nas mãos
E um abraço nostálgico
Do tamanho do teu mundo,
Mundo singular esse...
Onde eu, vulgo figurante
Desse filme da tua vida,
Não estarei mais presente.




Imagem retirada algures do Google Imagens


Poema nº 251 - Sempre que me tocas


Sempre que me tocas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Sempre que me tocas
O meu corpo estremece
Sofre réplicas emocionais
Rendendo-se por dentro
À magia que carregas
Por entre esses teus dedos suaves!
Quando tocas na minha mão
Mesmo que involuntariamente
Sinto que perco a razão
Ao contrariar-te com o silêncio
E ao tentar renegar o que sinto.
Mas não sei o que fazer
Nem tampouco o que dizer,
Sou refém da indecisão,
Do medo em voltar a amar
De te desiludir sem que o mereças!
Mas a cada noite que passa
Confidencio à lua e às estrelas
A sorte que tenho
Quando me dedicas um olhar teu:
Autêntico cometa resplandecente
Que trespassa a minha alma
Despindo os meus sentimentos
Sem que eu tenha poder de defesa
Ou arte de negação possível
Perante a tua polidez,
O teu sorriso genuíno feminino!




quarta-feira, 26 de julho de 2017

Poema nº 250 - Não olhes para ontem!


Não olhes para ontem!
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Não olhes para ontem!
A Lua estava deprimida
De ver o teu rosto triste
Traído pelo sentir incompleto
Do teu coração remoído.
Concentra-te antes no Sol
Na sua bíblia de alegria
Em que cada mandamento
É um raio de inspiração diário
Que difunde paz e optimismo!
Liberta esse capuz excruciante
Que carregas para encobrir o rosto
Embaraçado pelo passado turbulento!
Reergue as tuas energias,
Renasce para a verdade,
Reagrupa o teu exército de virtudes
E marcha...
Marcha até que as tuas cores
Possam ir além de ti
Pintando um arco-íris
E transformando uma colina árida
Numa planície florida
Onde proliferam os pardais
Voando sobre os lírios do amor!




Imagem retirada de: http://anjodejustica.blogspot.pt/

Poema nº 249 - A paixão perecida nas Berlengas


A paixão perecida nas Berlengas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Senti outrora um grande amor
Embalado pelas ondas de Peniche
Que exalavam uma maresia afrodisíaca,
Restaurando a ilusão
Do meu ímpio espírito!
Achava eu ter descoberto a arte náutica
Mas na verdade,
O leme do meu navio se rasgou
Com a fúria da tempestade repentina
Que se voltou a abater sobre o destino
Tão infiel à minha felicidade.
Aquela sereia,
Que por tanto olhei e venerei
Fugiu de mim:
Rumou para as Berlengas
Enclausurou-se no forte
Circundado por um exército de gaivotas
E um punhado de pescadores arrojados!
E eu,
Sem qualquer auxílio,
Morri mais uma vez na praia,
Quem se atreverá agora a ressuscitar-me?




Imagem retirada do Youtube

Poema nº 248 - Naquela viagem de comboio


Naquela viagem de comboio
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Naquela viagem de comboio
Avistei o sobressair das escarpas
Cobertas de densas vinhas
Que amadrinhavam desde o alto
O sempre jovem rio Douro
Conferindo-lhe a abençoada plenitude.
As águas corriam mansas
E mesmo os seus musgos
Equiparavam-se a sardas
Que completavam um belo rosto!
E ali estava o rio pujante,
Consciente da sua nobreza,
Dirigindo-se rumo à Régua,
Percorrendo aldeias pitorescas
Ultrapassando calhaus milenares
E uma paisagem toda ela verdejante!
Mas aquele jovem rio não estava só:
Por entre os selváticos arvoredos,
Dionísio e Artémis beijavam-se enrolados
Por entre as folhas do amor,
O primeiro oferecia o vinho dos seus lábios
A segunda retribuía com a sua alma indomável,
Caçando corações a cada ciclo lunar.
E eu que também me senti rendido
Àquele santuário oculto da mitologia grega,
Queria ser parte do seu cenário natural,
Talvez uma colina frutificada,
Berço de ancestrais e futuras paixões,
Na qual o meu "deserto espiritual"
Seria suficiente para inspirar
Duas outras almas a cobrirem-se
Uma à outra
De uma infinidade pura de afectos
Por entre os ternurosos mantos verdes
Da voluptuosa Mãe Natureza,
Acalorada pelos beijos floridos
Que perpetuariam a magia do amor!




Foto da minha autoria tirada na Régua



Nota-extra: Dionísio e Artémis eram divindades gregas. O primeiro era deus do vinho e das festas. É equivalente ao deus romano Baco. Por seu turno, Artémis era a deusa da caça, da vida selvagem, da virgindade e protectora das meninas da Grécia Antiga. Está também associada à lua e à floresta.

Poema nº 247 - Não me ames


Não me ames 
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Queres um conselho:
Não me ames
Porque uma flor como tu
Não precisa de um jardineiro
Tão desaprumado como eu.
As tuas pétalas são asas
De um querubim
Que só o vento as pode desnudar
Fazendo soprar uma aragem musical
Que penetra pelas janelas
Embalando de sonos idílicos
As pessoas que jazem tranquilas
No edificante imaginário do amor.
E tu bem sabes
Que o meu olhar revela impotência,
Porque te reverencio,
Mas quem sou eu diante de ti?
Que direito terei eu de arrancar-te
E exigir-te só para mim,
Quando só a tua venustidade ímpar
Pintura florida de uma mulher indígena,
Chega para inspirar meio-mundo?
É caso para te dizer:
Não me ames.




Imagem retirada de: http://mapio.net/pic/p-43368749/

Poema nº 246 - A Derradeira Mulher das Índias


A Derradeira Mulher das Índias 
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Não sei como herdaste
Todos os traços desse teu rosto
Soberbo anacronismo indígena
Que prevalece na modernidade
Com um sorriso tão terno e simples!
Jurei a mim mesmo
Que não recorreria a palavras caras
Para narrar as tuas virtudes
Porque aí seria um náufrago
No seio do vasto Oceano Pacífico!
Logo que te avistei
E trocámos sorrisos infinitos
Percebi que eras um tesouro
De carinho e sensualidade!
Não sei como Cristóvão Colombo
Nunca te conquistara,
Tu eras o El Dourado
Entre as ameríndias,
Uma Pocahontas
Verdadeira Princesa Morenaça
Trajada de pérolas dos rios
Que através de uma jangada
Cruzou as águas do desconhecido
Chegando aos meus incógnitos dias!
E se o teu nome aqui não direi,
É porque deixei-me vencer pela timidez
Pelo sopro do inerte Universo
Que para ti foi criado
Como um enigma peculiar
Que jamais, enquanto comum mortal,
Ousarei resolver.