O Imperador do Tempo
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Correm as brumas no horizonte
Perfumando de angústia
O meu espírito solitário.
Não sei a que rei obedeço
Ou a que princesa hei-de amar.
O tempo vai passando
E o destino é imperador:
Nada o poderá vencer
Ele acomoda-se no seu trono,
Bramindo a espada de excalibur
E ostentando o livro do universo,
Tudo o que ele dita
Não é lei, mas facto verificado.
Todos somos cobaias
Da sua autocracia feudal!
A este vulgo gladiador
De proveniência aldeã,
Que entoa a canção de Rolando
Para recordar cada sacrifício diário exigido
O destino torturou-o até à exaustão,
Decepando almejos amorosos
E arruinando sonhos sucessivos!
Mas para quê lutar?
Já que o futuro afinal a ele pertence?
E a minha agonia sufocante
Derivada da minha impotência mundana
É fruto do seu poder opressor!

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