Moedas da Perdição
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Cunham-se moedas
Podem ser de ouro ou prata
Ou até falsas,
A sociedade manuseia-as
O homem avalia-se por elas,
Pela sua quantidade,
Como aquelas tivessem almas
Que pudessem suprir mil provações!
Mas essa nova autoridade é suprema,
Egoísta na sua essência,
Indiferente face a tudo,
Esclavagista dos horizontes humanos
Ao ponto de seduzir muitos
Nos atalhos perigosos da euforia
Da obsessão infinita
Ou até da subversão da lei.
As moedas são relíquias milenares
De uma divindade malévola
Que não calculou limites
Nem qualquer bom senso.
Resta-nos a resignação:
Não podemos contestá-las
Apenas zelar para que estejam limpas
Mas que nunca brilhem intensamente
Tal seria sinal do seu percurso ilícito
Recheado de caprichos mercenários
Dos seus anteriores portadores!
Chega-nos o quanto baste,
Nada justifica
A clonagem de matrizes artificiais
Que sacrifiquem os nossos princípios
Porque esses não têm preço
São estatuetas de um templo antigo
Que veiculam a justiça e o amor
Para a salvação do mundo,
Com o mandamento de acudir
Os que nada têm!
Imagem retirada de: https://nationalgeographic.sapo.pt/
(Foto: Alexandre Monteiro)

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