O Café da Alma
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)
Nos confins do Além
Ammit devora os impolutos
Os que abdicaram do amor
Os que se corromperam pela matéria
Pobres humanos que se renegaram
Tornando-se em escorpiões do deserto
Agora desalmados no juízo final
Diante do Deus Anúbis e da Deusa Maat!
Mas quem bebeu do café da alma
Não desaparecerá:
Emergirá do Rio Nilo
O seu rosto será esculpido
No topo de uma esfinge.
Vivas faraónicas serão dadas
Aos que equilibraram o coração
Junto da pena leve
Na balança do Livro dos Mortos!
O café da alma
Grava em nós hieróglifos primitivos
Certamente genuínos,
E nos imbui da essência humana
O combustível que nos alimenta
A energia que nos purifica.
Ani, o célebre escriba egípcio,
Deixou-nos um papiro milenar,
Mas as gravuras de nada valem
Se os sentimentos forem esquecidos;
Não importa como nos pintarão,
Mas como nós nos pintamos até ao além!
Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://m.gp1.com.br/colunistas/o-livro-dos-mortos-do-antigo-egito-285350.html
Nota Adicional: Poema que tenta mesclar as virtudes necessárias para a salvação da alma com as tradições religiosas do Antigo Egipto. O café da alma é uma metáfora do amor genuíno. Nestes versos, faz-se ainda alusão ao Juízo Final daquela cultura ancestral, onde o coração do falecido deveria pesar tanto como a pena leve, na balança.

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