Lençóis de Alma
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
A quem cedeste os lençóis
Que cobrem o teu espírito?
Se tu os consentiste a alguém
É porque te defines
Na mesma essência do teu convidado!
Não te sintas embaraçada
A matéria não é isenta de afecto
Sobretudo quando alcança o íntimo
Mas por favor, escuta-me:
Não deixes que mão ímpias
Te sujem ao ponto do irremediável!
Os lençóis não são apenas o teu corpo
São também as muralhas da personalidade
Que te moldam diante do exterior!
Não queiras ser de todos
O teu lençol será melhor cuidado
Se for apenas hábito de um visitante
Que viu em ti
O mais belo capítulo de um romance!
O teu lençol continuará na senda da alvura
Resistindo ao desgaste e às nódoas,
Valerá mais que mil tapetes persas
E mesmo assim, não estará à venda
Porque é só teu
E só emprestas
A quem te venera como deusa
Como uma taça de vinho
Que sacia a sede de um caravaneiro
Depois de atravessar o deserto.
Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://www.belltent.com.au/wooden-platform-bases-for-bell-tents/

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