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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Poema nº 139 - O Síndrome de Nero


O Síndrome de Nero
(Poema livre de Laurentino Piçarra contra a vaidade da classe política portuguesa)

Ó Nero,
Tu não só incendiaste Roma
Como arruinaste as almas dos políticos,
Tornando-os narcisistas diante dos espelhos,
Vaidosos e convencidos da sua supremacia!

Ó Nero,
Tal como tu, eles sentem-se deuses pagãos,
Adoram ser adulados pelos seus pajens,
Recompensam os seus senadores leais
Com ninfas, tesouros ou poderes ocultos!

Ó Nero,
Esses patifes agora aderiram à modernidade,
Andam atrás da fotografia e do protagonismo
E teclam nas redes sociais da mexeriquice,
Para falsificarem ao povo a sua "magnificência"!

Ó Nero,
Nem sequer tu usufruías de carros topo de gama,
Ou de motoristas gratificados a peso de ouro!
Se calhar, os teus cronistas foram mais severos
Do que os nossos que consentem esta afronta!

Ó Nero,
Ao menos, tu só eras louco, e não hipócrita,
Sei que não toleravas os princípios cristãos,
Mas estes dissimulados de agora também não,
Só vão à missa para aparecer na televisão!

Ó Nero,
Não tenhas remorsos, come umas uvas,
Sorri aos vistosos gatos que te rodeiam,
Pega no teu pequeno espelho de ouro e diz:
- Haverá alguém mais lindo do que eu?





terça-feira, 10 de novembro de 2015

Poema nº 138 - Nélson Mandela, o herói anti-apartheid


Nélson Mandela, o herói anti-apartheid
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)

Na pequena vila de Mvezo,
No seio do clã tribal Madiba,
Nasceria uma alma luminosa,
Um amante da Justiça e da Liberdade,
Um novo gladiador vocacionado contra a opressão:
Rolihlahla, "aquele que cria problemas"!
Protótipo do Espártaco Moderno,
Nélson Mandela esgrimiria argumentos
Nas temíveis arenas dos tribunais,
Enfrentando a tirania do apartheid.
Oh! Muitos recordam os seus feitos
Gravando-os para a posterioridade!
Os Querubins cantam a sua glória,
Os Deuses prostram-se diante dele
As multidões de mortais seguem-no!
Este Hércules da região do Transkei
Com a sua energia e zelo invulgares
Derrubou preconceitos raciais
Uniu sob o mesmo sol brancos e negros,
Implantou a abençoada democracia,
Como um risonho arco-íris
Que junta sob o seu signo diversas cores
E a todos cede regalias iguais!
Devido às suas convicções modernas,
Nélson foi severamente perseguido,
Injuriado por aqueles que o quiseram silenciar!
Personificando a coragem e a perseverança,
Sobreviveu a 27 anos penosos de cativeiro,
Sem nunca abdicar do seu sonho,
Dos seus desígnios liberais,
Da sua integridade moral!
Idealizou um país livre e harmonioso,
Abraçou a igualdade e a fraternidade,
Repudiou a discriminação sobre os negros
E promoveu a concórdia humana:
Ideais pelos quais estava disposto a morrer
Durante os seus inesquecíveis 95 anos de vida.






Poema nº 137- A Rota Perdida


A Rota Perdida 
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Dizem que és o meu mapa perdido
O enigma do obliterado continente
Ocultado pelas brumas do irreflectido
E engolfado num mausoléu ausente!

Esquivo-me do maçante plano material
Para navegar nos canais da virtualidade,
Nessa tua Veneza do mundo espiritual,
Onde nos assiste a terna jovialidade!

Durante essa viagem pelo mundo ignoto,
Seguirei sempre a rota do teu exotismo,
Peregrinando como um temerário devoto!

Seremos o pecado da argúcia cartográfica
Porque logo dirão da nossa vigência fictícia,
Refutando as maravilhas do subconsciente!





Poema nº 136 - O teu chão


O teu chão
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Ansiava ser o teu chão sagrado
Guarnecido pelos beijos coloridos:
Mosaicos únicos do teu vulto rosado
Que reproduzem desígnios floridos!

Queria sentir o teu sol no meu corpo,
O calor extasiante dos airosos montes
Onde cultivas os teus frutos primaveris
Que elidem a aridez dos meus horizontes!

Esta sintonia universal de mútuos afagares
De abraços que jazem para a eternidade
Refundaria o amor em padrões invulgares!

E eu, solo abençoado pela tua presença,
Acalentado pela tua nobreza sensual,
Veria no teu olhar a luz da renascença!




Poema nº 135 - Físalis Terapêutica


Físalis Terapêutica 
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Tarimbado na ciência do amargor,
Vagueava pela virtuosa ruralidade,
Evadindo-me do sepulcral desamor
Que se radicou na soberba cidade.

Atravessei um quintal abandonado,
E aí desvendei um fruto relaxante,
Envolto por uma casca folheada:
Cúpula que sarou meu ar frustrante!

Despi suavemente o manto protector,
Digeri a pequena esfera "alaranjada"
E senti-me liberto do vulgo dissabor!

Aquela físalis purificou-me o sangue,
Perfilou os meus atributos selvagens,
A minha vontade em voltar a sonhar!







Nota-extra: Apesar de ser um pouco ácida/amarga, a verdade é que as físalis fazem parte dos frutos preferidos de Laurentino Piçarra até porque fornecem um sabor bastante original.

Poema nº 134 - Sobre o Receio da Mudança


Sobre o Receio da Mudança
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Escuto o sagaz lufar do vento
Que se abate com certo fulgor
Sobre os arvoredos do temor, 
Anunciando um novo advento.

Em cada rajada, um segredo,
Uma folha caduca que tomba
Um grito invicto contra o medo
Uma esperança que nos sonda!

E a turba assimila a mensagem:
Almeja novos tempos e valores,
O esvaziamento da chantagem!

Mas a árvore da mentira resiste,
Produzindo raízes de total inércia
Que à malévola hipocrisia assiste!





Poema nº 133 - A miraculosa Flor de Lótus


A miraculosa Flor de Lótus
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Nesta era de profunda devassidão,
Almejo descortinar a flor da pureza,
Aquela que ludibria a cruel servidão, 
Emergindo das águas com subtileza!

Os nenúfares dançam à sua volta:
Reivindicam a paixão transcendente
Daquela obra-prima resplandecente,
E unidos asseguram a sua escolta!

Vejo-me a meditar naquele pântano,
A implorar pela harmonia no mundo,
À semelhança dum monge tibetano.

E neste meu procedimento budista,
Escuto a mensagem daquela flor:
Harpa imaculada do céu melodista.