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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

sexta-feira, 11 de março de 2016

Poema nº 162 - Nas Ruínas desse Castelo


Nas Ruínas desse Castelo
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Nas ruínas desse castelo,
Moram memórias fatídicas
De privações afrodisíacas
De beijos cativos em selo.

Destinos cruéis do desamor
Prisões de grades infernais,
Gritos de corações com dor,
Silenciosas cartas medievais.

Aquelas muralhas indomáveis
São testemunhas da ambição
Que vetou paixões saudáveis.

Ao luar pressinto os seus vultos:
Nesse eco de arrependimento
Pelos matrimónios falseados!





 


Nota-extra: Este poema é, na sua essência, uma crítica aos casamentos antigos que eram determinados por arranjinhos familiares. No nosso entender, o amor será sempre mais importante do que os interesses materiais ou elitistas.

Poema nº 161 - "Os Carrascos de Abril"


"Os Carrascos de Abril"
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Ó querido 25 de Abril,
Choro pelas tuas ternas memórias,
Pela distinta coragem de Salgueiro Maia,
Pela voz inconfundível de Zeca Afonso,
Pelos cravos de esperança que distribuíste
Nas ruas agora liberais do nosso Portugal!
Mas o teu sonho durou poucos decénios,
Cancros se enraizaram na classe política,
A corrupção tornou-se numa religião,
As cunhas subiram aos altares da adoração,
E as subvenções premiaram a mediocridade!
Maldito sistema aristocrata que nos furtou direitos,
Que assassinou a melodia alegre de Abril,
Que tornou árida a sua paisagem verdejante!
Os rouxinóis puros que anunciaram a revolução
Fugiram ou até mesmo sucumbiram!
No seu lugar, subsistem agora milhafres e abutres
Que trataram de acentuar o pesadelo!
O nosso país não merecia esta traição:
O povo brando e laborioso foi injustiçado,
O entusiasmo folclórico virou ao mais triste fado,
A fartura foi "sodomizada" pela fome,
O desemprego e a emigração tornaram-se numa herança,
O desgosto apoderou-se da vanguarda abrileira,
E de todos aqueles que ansiavam por transparência
E que agora recebem austeridade redobrada
E uma classe política repleta de arrogância!
Portugal, meu amado país,
Acorda para salvar a tua democracia,
Zelando pelo mérito e pela verdade,
Esses valores que te engrandeceram no passado,
E que hoje permanecem num arquivo abandonado,
Testemunhos de uma história que nunca foi lida
Por aqueles que nos desgovernam!
E quanto a ti D. Sebastião,
Digo-te que está na hora!
Porque Abril merece ser a luz da liberdade,
A fonte da sã esperança,
O renascido berço dos rouxinóis encantadores
Que outrora cantarolavam pelas suas planícies!



sábado, 6 de fevereiro de 2016

Poema nº 160 - Menina dos Olhos Verdes


Menina dos Olhos Verdes
(Poema Livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Menina dos olhos verdes,
Não, não és uma mera empregada
Desse café refinado e elegante
Onde convergem as soberbas elites
Que tentam ocultar o brilho da tua existência
Insinuando em vão a tua vulgaridade
Nesse meio, onde tu és o sol
E o resto são planetas obscuros
Que giram futilmente em teu torno
Num egocentrismo sacrílego
Que não se equipara à luz da tua magnificência!
A esses teus olhares de esmeralda
Acrescentas a brancura do teu rosto
Como uma rima perfeita do Criador
Que encerra um soneto de inspiração
Abençoando o teu nome sublime
A tua predestinação em partir corações
Só com uma simplicidade natural
Que não atraiçoa a tua fisionomia esplêndida!
Os teus cabelos negros e lisos
Descem até aos teus ombros
São colmos onde se abrigam os desejos ardentes mais indecifráveis
Rematando a conjugação perfeita
Que vai além do entendimento humano!
Diante desta indescritível obra de arte
Sim, eu tenho de acreditar em Deus,
No teu exímio escultor celestial.

Poema nº 159 - Saudoso Apeadeiro



Saudoso Apeadeiro 
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Naquele apeadeiro, grassam recordações,
Estampadas em azulejos de nostalgia
Que retratam lendas, contos e emoções;
Labores de uma aldeia em harmonia.

O ancião pragueja contra o mau tempo,
Refugiado no mais modesto abrigo
Dessa paragem deflorada pelo vento,
Que sopra desde os campos de trigo.

O frio reaviva as memórias populares,
Desperta a essência da comunidade,
O orgulho nas suas raízes milenares!

E ali estava o velhinho desamparado,
Agastado com a veemente intempérie,
Nessa espera pelo comboio do passado.





Imagem retirada algures da Internet

Poema nº 158 - A Nuvem de Deus



A Nuvem de Deus 
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Já fitaram hoje o céu misterioso,
Mergulhado por uma nuvem cinzenta,
Carregada de dor sobre o globo ocioso,
Essa parca criação que Deus lamenta?

Cambiaram a caridade pela corrupção,
Preferiram as hostilidades à paz
Aclamaram a vaidade e a ambição
Num egoísmo que ao homem apraz!

Nas ruas, a nuvem passa despercebida,
Todos ignoram o seu derradeiro enigma,
Fogem até das suas lágrimas guarnecidas.

O homem desvirtua o amor fraterno,
Aprovando a mentira do seu coexistir:
A ilusão de que o seu auge é eterno.




Imagem retirada algures da Internet

Poema nº 157 - O Necromante


O Necromante
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)
 

Por detrás do véu da incerteza,
Um olhar sinistro se camuflava,
Uma nuvem repleta de ardileza,
Que destinos vários sentenciava.

À sua volta, as rosas murchavam,
Os rios eram digeridos pela secura,
Os prantos populares ecoavam,
Cambaleando a dor em loucura!

Aquele vulto carreava brumas,
Semeava a escuridão do destino,
O baile das caveiras taciturnas!

O seu anúncio jazia melindroso,
E o seu ocultado portal do além
Era o mausoléu da misantropia!




Imagem retirada algures da Internet

Poema nº 156 - A Mulher dos olhos de cristal



A Mulher dos olhos de cristal 
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


O teu vestido é o manto de Vénus 
Que alumia o meu refreado coração 
Vítima da monotonia dos invernos 
Que ofuscam o apaixonante clarão.

Os teus olhos são cristais circulares:
Irradiam um azul tão belo e intenso
Brotam diamantes de eras milenares,
Reflectem o sol do teu rosto pretenso!

E diante desse teu encarar fugidio,
Fito o mel irrecusável dos teus lábios
Que porfiam corações remanescentes!

E se nessa tua voz de anjo celestial,
Escuto a deleitável melodia do amor,
Então o meu mundo vive na tua boca!