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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

sábado, 11 de abril de 2020

Poema nº 392 - Lotaria da Vida


Lotaria da Vida
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Não há uma maldição terrena
Ou algum castigo perpétuo
Que nos foi sentenciado
Para expiar as nossas imperfeições!
A vida é magia do incógnito
Ou de um mestre superior!
O sentir, o viver, o amar
São a verdadeira herança:
Alvos certeiros da lotaria
Que acertamos ao nascer
Mesmo sem nada saber.
Não nos serve o estatuto de carpideiras
Porque o Universo conspira a nosso favor.
As inúmeras luas pomposas de Júpiter
Contrastam com a alma rochosa de Plutão,
Planetas grandes, planetas pequenos
Estrelas novas, astros velhos,
Asteróides imparáveis, meteoros minúsculos:
Tudo é diverso na sua essência
Tudo é igual no seu direito a existir.
Eles superintendem sobre nós
Mas nunca ganharam a lotaria:
Não sentem, não vivem, não têm identidade
Nós é que os miramos
Eles serão os nossos espelhos
Se nós quisermos brilhar como eles!




Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google

Poema nº 391 - Mulher da Atlântida


Mulher da Atlântida
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Num revirar de olhos
Tudo se desmorona
Templos, palácios e obeliscos!
Engolfado na narração trágica
Platão não se lembrou de ti
Nem do teu arco-íris
Que emanava as sete virtudes
Pelo povo atlante!
No momento, em que tratavas dos vasos
Cujas flores germinavam até aos céus
Subindo pelas paredes do teu lar,
Envergavas uma túnica de cetim
Manto inocente para o sacrifício colectivo
Ordenado por Poseidon!
Uma onda colossal omitiu-te do mundo
Furtou o teu sorriso contagiante
Que iluminava o planeta,
E o teu rosto amorenado
O artefacto mais belo
É agora um tesouro de um passado
Enterrado na espiral do oblívio!
Talvez sejas mais uma sereia
Perdida no harém do deus grego!
Quanto ao teu colar de pérolas
Reside hoje órfão de glória
Ocultado por entre as pedrinhas
De uma praia exótica das Bermudas.




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://mymodernmet.com/zofia-bogusz-sea-salt/

Poema nº 390 - Corona e a "doença" do Egoísmo


Corona e a "doença" do Egoísmo
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Chegou o vírus do mal,
E com ele,
Um inferno social:
Esvaziam-se as prateleiras alimentares
Lucram os laboratórios
E os produtores de máscaras
Emergem as profecias do apocalipse
E tudo se desmorona!
Nem uma quarentena de horas
Sabemos cumprir
Para nos resguardarmos
Do perigo inesperado!

No exterior
O consumismo é voraz
E tudo desaparece:
O arroz
Os enlatados
E o papel higiénico.
E estamos nós na Quaresma!
Não vos ensinaram princípios?
Partilha e altruísmo?
Querereis ser piores que o vírus?
Não vos bastará desinfectar as mãos
Se o vosso coração permanecer doentio.





Imagem meramente exemplificativa retirada do Google

Poema nº 389 - O Café da Alma


O Café da Alma
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Nos confins do Além
Ammit devora os impolutos
Os que abdicaram do amor
Os que se corromperam pela matéria
Pobres humanos que se renegaram
Tornando-se em escorpiões do deserto
Agora desalmados no juízo final
Diante do Deus Anúbis e da Deusa Maat!
Mas quem bebeu do café da alma
Não desaparecerá:
Emergirá do Rio Nilo
O seu rosto será esculpido
No topo de uma esfinge.
Vivas faraónicas serão dadas
Aos que equilibraram o coração
Junto da pena leve
Na balança do Livro dos Mortos!
O café da alma
Grava em nós hieróglifos primitivos
Certamente genuínos,
E nos imbui da essência humana
O combustível que nos alimenta
A energia que nos purifica.
Ani, o célebre escriba egípcio,
Deixou-nos um papiro milenar,
Mas as gravuras de nada valem
Se os sentimentos forem esquecidos;
Não importa como nos pintarão,
Mas como nós nos pintamos até ao além!






Nota Adicional: Poema que tenta mesclar as virtudes necessárias para a salvação da alma com as tradições religiosas do Antigo Egipto. O café da alma é uma metáfora do amor genuíno. Nestes versos, faz-se ainda alusão ao Juízo Final daquela cultura ancestral, onde o coração do falecido deveria pesar tanto como a pena leve, na balança.

Poema nº 388 - Criptografia da Felicidade


Criptografia da Felicidade
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


No limiar do teu distinto ser
Uma dúvida te apoquenta:
A procura dum novo amanhecer
Ou a submissão na maré cinzenta.

A vida são apenas dois dias
Não cries densas nuvens
Nem as alegrias dantes fingidas,
Sal das tuas ideias insolúveis.

O incerto será sempre eterno
Mas sem um sorriso nos lábios
Serás refém do teu inferno!

Muda, se tiveres de mudar
Porém não exijas a perfeição:
Assim terás muito a acrescentar!




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://www.inspiringlife.pt/6-coisas-que-pessoas-com.../

Poema nº 387 - A Soma do Nada


A Soma do Nada
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Descobri-me nas estrelas mortas
Na luz tímida que claudica
Nos sons das luas absortas
Num sonho que o anseio debica!

Sou a corrente alternada de Tesla
Antecipo-me ao tempo frenético
Derreto os grilhões de qualquer cela
Alimento os furacões do mundo céptico.

Não me sinto um alienígena libertino
Mas o átomo primitivo da galáxia mãe
A nostalgia que cura o vulgar filistino.

Não sou um sábio, sou apenas o nada
O culminar de milénios de amnésia
Que abraçou o todo nesta jornada!




Fotografia retirada do Google Imagens

Poema nº 386 - As Sombras de Hiroshima


"As Sombras de Hiroshima"
(Poema livre da minha autoria)

Nos escombros
Da cidade apagada pelo capricho nuclear
Sombras de pessoas evaporadas
Demarcam o solo infernal.
O Enola Gay,
Anjo maquiavélico da morte
Sentenciara o destino de multidões
Transformando lares e escolas
Em crematórios.
A urbe de fundação portuguesa
Adormeceria por largos anos
Como Pompeia.
Os deuses não evitaram a tragédia
A glória dos homens sumiu-se
Por entre as brumas da destruição
Não sobrando qualquer redenção
Para os generais da finitude!
Que os espíritos dos nossos antepassados
Os antigos missionários de Hiroshima
Rezem pelos que partiram
E que intercedam perante os céus
Para que a bomba nuclear
Nunca volte a fazer parte da história.
Deixem as sombras descansar em paz:
Por favor,
Não as repliquem.