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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Poema nº 245 - Sono Eterno


Sono Eterno
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Como venero aquele sono imortal
Embriagado pela brisa apaziguante
E pela música dos pássaros do quintal
Que conjugam o limbo reconfortante!

Distanciado das agruras quotidianas
Ali estou, sozinho, na janela do nada
Num universo de normas cartesianas
Onde comungo de cada hora vaga!

Sinto-me o Deus da minha paz interior,
Pratico a religião livre do subconsciente
Onde não há preconceito nem dor!

Se estar morto é viver todo esse sono,
Então a morte é um privilégio único:
A fuga a um mundo que é nosso dono!




Poema nº 244 - Fui apenas uma onda


Fui apenas uma onda
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Fui apenas uma onda
Desse teu mar
Que soprou pela aurora
Adormecendo para a eternidade!
Toda a minha energia dissipou-se
Ao colidir com o modesto areal,
Enquanto tu permanecerias intocável
Diante dos demais Adamastores!
O teu olhar sorridente
Gera agora em mim
Lágrimas de sal
Que baptizarão búzios
Junto às rochas
Onde a tua voz
Ainda se fará escutar
Curando corações destroçados,
Milagre divino
Que só tu poderias realizar!
Mas eu esvaio-me da tua existência,
Saudades tuas terei,
Mesmo transitando para o vazio
Esse adverso cortejo da indefinição!
Mas quando sentires
Uma frescura facial repentina
Lembra-te que foi um beijo
Florido mas discreto
Que te depositei invisivelmente
Enviado de outro mundo!




Fotografia retirada algures do Google Imagens


Poema nº 243 - Desconheço-me


Desconheço-me
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)

Desconheço-me
Neste existir turbulento
Onde eu sou refém do sonho,
Do limbo que paira na ilusão!
A cada dia, padeço dum despertar
Que é sombrio e desencorajador
Acarretando indefinição
E todo um sacrifício ciclónico
Que vulgariza o meu ser
Apadrinhado pelas amarguras!
Sou agora um cravo murcho
Renitente diante da democracia.
Sou agora uma rosa arrancada
Que viu o amor fugir.
Sou agora um manto de silvas
Que cobre os meus caminhos
De uma forma sagaz e azeda,
Fazendo das potenciais saídas
Autênticos e intransponíveis becos
Que me prendem nesta depressão
Nesta carência contínua,
Neste labirinto de miragens,
Onde não encontro a dócil alma
Que possa curar o meu interior
E enviar-me para a luz da paixão,
Transformando a sonolência criativa
Numa realização mundana positiva.





Poema nº 242 - Se apagassem a nossa memória


Se apagassem a nossa memória
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Se apagassem a nossa memória
E nos reinstalassem numa ilha,
Repleta de gente sem história,
O pensar não sairia da escotilha!

O primeiro reencontro seria sinistro
Tu sentirias um deja-vu sensual
E eu uma contemplação sem registo:
Repetida fórmula quântica matinal!

Porque o sentir vence sempre a razão
Mesmo que se baralhem as cartas
Por vezes afins até à plena exaustão.

E a lua agora cai junto das palmeiras 
Amadrinhando a nossa poesia ardente
Que prevalece sobre a amnésia latente!




Imagem retirada de: http://www2.uol.com.br/

Poema nº 241 - O leito da minha morte


O leito da minha morte
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Nos últimos fôlegos da minha vida
Queria repousar nos teus lábios
Túmulos vivos da paixão apátrida
Esculpidos pelos querubins sábios!

Queria cruzar-me de olhares contigo
Com o mesmo brilho da primeira vez,
Queria saborear-te como um figo
Antes de te confiar à pesarosa viuvez!

Desejava sentir teus dedos marinheiros 
A capitanear por entre os meus caracóis
Ondas onde atracavas os teus veleiros!

Com a tua mão colocada sob o meu peito
Despedia-me na rota do sono profundo
Olvidando para sempre teu rosto perfeito!





segunda-feira, 3 de abril de 2017

Poema nº 240 - Queria perder-me no abstracto


Queria perder-me no abstracto
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Queria perder-me no abstracto
Ser plural no seio da imensidão
Esquivando-me a qualquer retrato
Que definisse uma cruel precisão.

Não quererei alojar-me no concreto
Ou numa clausura de sentimentos
Como um monge norteado por decreto
Por cantos gregorianos de lamentos!

A felicidade supera qualquer barreira
Impele-nos à anarquia sã do desejo
À veneração pagã da arte pioneira!

E nesse culto de pendor selvagem
Renasceria para o fruto verdadeiro
Para a vitalidade da minha paisagem!




Poema nº 239 - Ceguem-me...


Ceguem-me...
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Ceguem-me se outrora te vi
E não despertei o meu olhar
Num luar de sonhos que perdi
Sem saber que te iria amar!

Não mereço a sorte da vida
Porque ignorei o teu amanhã
O mecenato da tua guarida
O templo da tua montanha!

Se antes te vi e não pressenti
O meu vindouro amor por ti
É porque te fui infiel e menti!

Traí-te, e traí-me a mim próprio
Porque não senti amor repentino
Não decifrei os planos do Cosmos!




Imagem retirada algures da Internet