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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Poema nº 205 - Virgílio, o autarca sincero


Virgílio, o autarca "sincero"
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Ó Povo, vem aí o Virgílio,
O presidente da Câmara de Mourais,
Ele desce a rua
Com o seu séquito!
Traz consigo o seu charuto,
Olha para o seu bandulho,
E o que é que ele promete à comitiva?
Tachos para todos os seus vassalos!

Ó Povo, vem aí o Virgílio,
Que apresentou a recandidatura!
Ele encontra um empresário
Faz-lhe uma, duas vénias
Confessa-se seu admirador
Acende-lhe o cigarro
E o que é que ele promete ao amigo?
Obras inúmeras a adjudicar!

Ó Povo, vem aí o Virgílio, 
Vaidoso e presunçoso,
Dizem que reza avé-marias
A pedir a intercessão divina
Para ludibriar o povo
E salvaguardar as regalias!
E o que é que ele promete à turba?
Um valente aumento do IMI!

Ó povo, vem aí o Virgílio, 
Já organizou uma festa na vila,
Para caçar votos e simpatias,
Diz umas palavras bonitas,
Jura amor à comunidade,
Abraça o padre,
E o que é que ele promete à paróquia?
Um novo imposto sobre as esmolas!

Ó povo, vem aí o Virgílio,
Promete, olhando para os suspensórios,
Que irão arrancar muitas obras,
Realizadas à pressa,
No último ano do seu mandato!
Ri-se para o céu
E o que é que ele promete ao tempo?
Que tudo fará para ser um dinossauro!

Ó Povo, vem aí o Virgílio,
Acenando a bandeira do seu partido
E desfrutando da romaria!
Encontra o camponês Gustavo
E o que é que ele promete ao lavrador?
Um café em troca do seu voto!
E o que é que o Gustavo lhe responde?
- Enfia essa bandeira por aquele sítio acima!




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