Virgílio, o autarca "sincero"
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)
Ó Povo, vem aí o Virgílio,
O presidente da Câmara de Mourais,
Ele desce a rua
Com o seu séquito!
Traz consigo o seu charuto,
Olha para o seu bandulho,
E o que é que ele promete à comitiva?
Tachos para todos os seus vassalos!
Ó Povo, vem aí o Virgílio,
Que apresentou a recandidatura!
Ele encontra um empresário
Faz-lhe uma, duas vénias
Confessa-se seu admirador
Acende-lhe o cigarro
E o que é que ele promete ao amigo?
Obras inúmeras a adjudicar!
Ó Povo, vem aí o Virgílio,
Vaidoso e presunçoso,
Dizem que reza avé-marias
A pedir a intercessão divina
Para ludibriar o povo
E salvaguardar as regalias!
E o que é que ele promete à turba?
Um valente aumento do IMI!
Ó povo, vem aí o Virgílio,
Já organizou uma festa na vila,
Para caçar votos e simpatias,
Diz umas palavras bonitas,
Jura amor à comunidade,
Abraça o padre,
E o que é que ele promete à paróquia?
Um novo imposto sobre as esmolas!
Ó povo, vem aí o Virgílio,
Promete, olhando para os suspensórios,
Que irão arrancar muitas obras,
Realizadas à pressa,
No último ano do seu mandato!
Ri-se para o céu
E o que é que ele promete ao tempo?
Que tudo fará para ser um dinossauro!
Ó Povo, vem aí o Virgílio,
Acenando a bandeira do seu partido
E desfrutando da romaria!
Encontra o camponês Gustavo
E o que é que ele promete ao lavrador?
Um café em troca do seu voto!
E o que é que o Gustavo lhe responde?
- Enfia essa bandeira por aquele sítio acima!

Sem comentários:
Enviar um comentário