General Sem Medo
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)
Quem és tu, homem corajoso
Que afrontas a repressão descarada
Desse sistema político andrajoso
Que aprova a liberdade amordaçada?!
Queres ser luz no seio da ignorância
Queres ser crença no bastião do medo!
Devotado à tua interventiva militância,
Desafias os abutres e o seu credo.
Ousas voar até onde não te é permitido,
Tencionas quebrar os grilhões da tortura
E libertar o teu povo pobre e oprimido!
Mas sabes que enfrentas o impossível,
A mentira virou a Adamastor impiedoso,
E tu, meu valente, tombaste imperecível!
Foto de Casa Gaspar/ Arquivo Prof. Dr. Luís Torgal
Nota-Extra: No último verso, muitos poderão pensar que existe uma contradição, mas a mesma é propositada. Humberto Delgado tombou às mãos de agentes da PIDE (em Espanha), mas na verdade, o seu legado e o seu exemplo sobreviveram à morte, abrindo esperança para um futuro democrático. Tombou sim, mas de forma imperecível! Quanto ao "bastião do medo", refiro-me a Portugal, isolado do mundo e acossado pela repressão do regime.

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