O Teu Colar de Penas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Irrompe na sua perícia matutina
O cortejo de raios solares
Que penetram pelas fendas da cabana
Gravando nas tuas costas
Então prostradas ao relento
O fogo que ali ousei entronizar
Nas noites loucas
Em que as nossas salivas unidas
Formavam rios inóspitos
De temperaturas abrasivas,
Convergindo num só único sentido
Através de fluídos de lava
Bombeados pelos nossos corações!
Mas a tropicalidade do nosso amor
Não se confinava apenas aos beijos lânguidos
Que partilhávamos em cada crepúsculo!
Não, até a Lua, a mãe-criadora das noites,
Se rendeu ao colar de penas
Que carregavas ao pescoço!
E eu que fui abordado pela tua graça,
Minha Pocahontas da vida real,
Adormeci nos teus braços,
Bebi das tuas cascatas de leite,
Perdi-me na tua floresta
Sem ter de sair da nossa cabana.
E foi na caminhada até ao monte
Dos inenarráveis mistérios
Que voltei a focar-me no teu colar
Gerado por mãos indígenas.
Ele era afinal o teu templo
Reflectia em ti:
A faceta selvagem,
O íntimo cristalino,
A sensualidade singular
O sacramento que me oferecias diariamente
Sem que eu merecesse
Ser retribuído pelo teu soberbo clarear!
Imagem da autoria de Jesse Kraft (http://pt.123rf.com/)

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