Ovar é prosa
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Ovar é prosa
Soprada pelo vento
Que sonda as janelas
Fazendo bailar cortinados
Verdadeiras máscaras desfilantes
Dos seus zelosos proprietários!
Ovar é prosa
Perfumada pelo oceano:
Cada palavra sua exala maresia,
Cada frase sua se enclausura num búzio
Que se enrola abraçado pelo areal
Até se dissipar nas ondas do infinito.
Ovar é prosa
Que converge pelas calçadas
Através da voz dos seus comerciantes
Que elevam os produtos da terra,
Prestando uma idolatria suprema
À cidade, sua mãe benemérita.
Ovar é prosa
Porque as suas fontes jorram histórias
Que saciam famílias desesperadas
Não só de água, como de sabedoria
Refrescando o interior de cada um
E prosperando vitoriosos oásis no deserto.
Ovar é prosa
Que não se esgota nos azulejos,
Porque professa a arte da continuidade
Metamorfoseando-se de imensas vocações
Que a tornam ávida de criatividade
Nesse almejar das suas incessantes recriações!
Ovar é prosa,
Porque não escreve sozinha,
Não é biógrafa de si mesmo,
É sim actriz principal de uma encenação
Embalada pela irreverência teatral
E cujo enredo profícuo nunca expira!
Ovar é prosa
Porque ali viveu o príncipe do romance:
O seu pseudónimo era Júlio Dinis
E as suas obras despoletaram um arco-íris
Que ainda hoje prevalece comedidamente
Sobre aqueles que aqui vivem para a arte!
Direitos da Foto - Revista Evasões
(Fotografia de Maria João Gala e André Gouveia/Global imagens)

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