Que queres que te diga?
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Que queres que te diga
Meu rouxinol
Cujo canto é tão exuberante
Quanto ao voar dos teus sonhos?!
Desculpa-me a acidez
Da minha arcaica indiferença
De quando te vi
Pelas primeiras vezes,
Mas pouco tempo depois,
Redescobri-te,
Desmenti-me a mim mesmo:
Tinhas um sorriso de ouro,
Um coração do tamanho
De um mundo que sempre sonhei
E que hoje não logro habitá-lo
Por mera ignorância!
Estava a anos-luz do teu voar,
Cantavas as melodias mais suaves
Que percorriam as aldeias
Dos vales pitorescos,
Sem que eu lá estivesse,
Um dia,
Com um jasmim na mão
E com os hieróglifos de Nezahualcóyotl ,
Para me libertar das teias
Da nefasta timidez
E agradecer-te em verso
A tua generosidade inigualável
Específica da tua natureza singela,
Rematando o último sopro do soneto
Com um beijo perfumado,
A ponte para a tua alma,
Para o mundo paradisíaco
Que até hoje me foi negado!
Foto meramente exemplificativa
Autoria de José Manuel Gouveia in Olhares. Sapo. (Vale da Ribeira Brava)

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