O Elefante de Aníbal
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Plasma-se no horizonte
A glória de Cartago
O estandarte do ancestral Magrebe
Que desafia a hegemonia romana.
Não é uma bandeira
Não é uma miragem
Mas sim o vigoroso elefante
Que carrega o supremo general
O filho de Amílcar Barca:
Aníbal, o estratega singular
Que destemido
Cruzou montes, serras e rios
Derrubando mitos e fantasmas!
Varrão, cônsul romano,
Ordena um ataque vasto
Na planície de Canas
Mas o elefante nada teme
Com as suas extensas presas de marfim
Varre a cavalaria romana
Esmaga a infantaria desnorteada
E eleva o seu senhor até à glória!
Guarda de honra fiel
Muralha móvel do sucesso,
Forçado a combater pelos homens
Sabe apenas que o anjo da morte o libertará
Do seu compromisso!
Em Zama, o céu chorará
O seu sangue derramado
E o de outros elefantes
Quando cem mil romanos
Liderados por Cipião
O cercarem,
Mas antes disso
Cederá
A cobertura final para que Aníbal
Se retire com vida
Primeiro para Cartago
E depois para a Ásia Menor.
Quem disse que a glória é só para os vitoriosos?
Aníbal e o seu elefante
Heróis improváveis da sua história
Como muitos outros anónimos
Então apagados dos manuscritos
Todos eles preferiram ser leões por um dia
Do que ovelhas para sempre.
Fresco do século XVI presente no Musei Capitolini em Roma. A imagem foi tratada por obtida e tratada por José Luiz Bernardes Ribeiro.

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