Identidade Anárquica
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Perco-me no labirinto das incertezas
E deixo-me absorver pelo denso nevoeiro
Sem que saiba o que procuro
Ou sequer quem sou na verdade!
E nesse silenciar de caminhos
Extravio-me dos saberes do mundo,
Sou a incógnita de uma equação
O som indecifrável de um vento místico,
O estado de alma que ninguém experienciou
A cobaia da ilusão do supremo Universo.
E na imensidão desta identidade anárquica
Invisto sem hesitar nas palavras
Na demanda de uma matriz irrefutável
Mas até elas são insuficientes
Para expressarem os meus sentires,
As minhas infindáveis emoções,
Quando não me traem nas decisões!
Resta-me escutar os sons da Natureza
Atender à sua complexidade heterogénea,
Sorrir quando ela se traja elegantemente
Na época primaveril, dotada de cores;
Entristecer-me quando ela é refém
Dum Inverno rigoroso e violento
Ou da perversidade humana.
E nisto, descodifiquei o meu primeiro dogma:
O de deambular pelas aldeias
Pelas suas florestas e planícies,
Porque é aí que me reencontro,
E devolvo paz ao meu espírito!
Longe do extenuante ruído urbano,
Apenas a fonte do silêncio
Poderá oferecer a grande verdade,
Os conselhos que deverei seguir
Nesse futuro que se revela brumaceiro!
Imagem retirada de: https://pixabay.com/pt/estrada-aberta-estrada-nublado-757949/

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