Da Saga dos Líderes Mercenários
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Não percebo
Os que sobem na vida
Escudados pela vassalagem
Aos senhores do poder
E absorvidos pela mesquinhez do mal-dizer
Nesse incriminar dos ainda seus companheiros
Reduzidos já a criaturas inferiores
Diante dos seus narizes pontiagudos.
Mas que líderes são estes?
Autênticos Neros que só se contemplam
Diante dos espelhos da ilusão
Bebendo do cálice narcisista
Que os embriagará de vaidade
Enquanto soa uma música aborrecida
De um antigo piano
Talvez perdido num quarto
Repleto de teias sem glória
Que cobrem as paredes obsoletas
Dos labirintos fúteis que são as suas vidas.
Até os gatos arrepiam caminho
Quando surgem estes alpinistas sociais,
Fantasmas do mérito,
Almirantes do tráfico da incompetência
Vendedores ambulantes da prepotência,
Mas na verdade,
Apenas são temidos pelo veneno
Pela sua estratégia cinica e calculista,
No entanto, não nos preocupemos
Com eles.
Na verdade, são pó
À primeira batalha, desertarão
E voltarão ao estado condizente.
Preocupemo-nos sim com aqueles
Que são carne para canhão
E cujas vidas
Podem ser destroçadas
Pelos generais que os abandonam
No meio de uma batalha sem fim
Como é a da própria vida.
Porque se os falsos líderes
Resguardados na retaguarda
Fogem pela sombra que lhes é aliada.
Menos sorte têm os seus guerreiros,
Fácil alvo da ira na frente de batalha,
Decapitados pelos erros dos anteriores,
E que atraiçoados foram,
Mesmo oferecendo todo o seu melhor,
Por quem não soube comandá-los
Nem tampouco motivá-los.
Imagem retirada algures do Google