Filósofo Autóctone
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Não sou bem um místico,
Pelo menos,
Daqueles puros
Domados pelo fogo
Que invisivelmente emerge
Do bastião da alma!
Não sou também um teólogo
Porque não domino as Escrituras,
Nem sou especialista
Das coisas espirituais!
Sou antes um filósofo
De introspecção fria e neutra,
Liberto do rigor das ciências
Distanciado dos dogmas religiosos!
Assumo as minhas limitações:
Também procuro respostas,
Mas não estou perto
Da Verdade,
Nem sei se quero,
Vivo da caridade do destino,
Pelo menos ainda,
E nada quero antecipar,
Muito menos,
A lápide do silêncio eterno
Que me está reservada!
Mas não olhemos mais em redor:
Nesta etapa,
Temos de ser os Messias
De nós mesmos e dos outros!
O amor é a chave da felicidade
De todo o progresso social
E até ele tem de ser estimado!
Deixem-me agora retornar
Por uns instantes
À minha Amazónia imaginária,
Ali consigo encontrar a paz
Incutida pelas árvores,
E junto a elas,
Num recanto anárquico,
Imbuído de alguma espontaneidade
Encontro a fonte da sabedoria,
Esculpida, não de ouro,
Mas da mais modesta madeira,
Censurada pela civilização moderna
Em estado de ruído e negação.
Imagem retirada de: https://www.conservation.org/global/brasil/Pages/gef-paisagens-amazonicas.aspx

Sem comentários:
Enviar um comentário