Estrelas Mudas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Voltaremos ao nada
E a minha crença na descrença
É corroborada pelo silêncio da lua
Ou pela aragem fria das serras.
Viver é um privilégio
Até quando se tornar num fardo,
Altura em que a ilusão é desfeita.
Planos para amanhã?
Não se deixem seduzir pela ambição
A não ser que pretendam um jazigo
Um mausoléu perpétuo
Para abrigar o pó da tempestade.
Não vivam obcecados com o fim
Que é certo e irreversível:
Até lá assistam ao nascer do Sol
Ele será assim por milhões de anos,
Só ele tem futuro,
E nem assim será eterno
Porque um dia o Universo
Lhe fará o próprio caixão.
E depois o que contarão dele?
E de todos nós?
Que as estrelas eram afinal mudas?!
Imagem retirada de: https://www.capixabadagema.com.br/nascer-do-sol-vila-velha/

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