O cavalo de Tânger
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Caíste valoroso cavalo
Nesse areal escaldante
Sem pedires glória ou nome,
O sol está pronto a levar-te
Para o seu limbo secreto
Onde o Deus Marte não reina!
Mas antes de fechares os olhos
Para o amanhã sem fim,
Assiste com a tua retina
Semi-ensanguentada,
À dança bélica do teu senhor:
O infante-mar,
Homem de sangue real,
Que até então carregavas,
Caiu com estrondo no solo
Mas ergueu-se como uma torre
E resiste apeado:
Derruba um, dois ou três ginetes,
Imita os movimentos giratórios do globo
Enquanto desfere golpes
Porém a sua posição complica-se,
As investidas inimigas acentuam-se
O infante benze-se
Junto ao moribundo camarada,
As nuvens ressurgem no céu,
E quando a sombra da morte
Se aproxima do seu destino:
Um grupo sai em seu auxílio
Salvando-o dos perseguidores!
Se tiver que ser
Que se perca o prestígio militar
Mas que se conserve o génio exploratório
Do vulto máximo da Ínclita Geração!
Chove agora torrencialmente
O cavalo sucumbe por fim,
Ele que dera o corpo à causa,
Amanhã será a vez do mártir D. Fernando
Iniciar o seu tormento perpétuo,
Mas Portugal não morre aqui
Está escrito que muitos se sacrificarão
Reis, nobres, missionários e plebeus
Até que o pequeno país alcance o auge
Sonhado por várias civilizações,
Mas apenas concretizado pela garra lusitana!
Hoje, o céu adormece vermelho
Espelhando o sangue derramado em Tânger
E as chagas do egrégio cavalo
Amanhã, acordará azul,
Reflectindo os novos mares dos portugueses!
Imagem nº 1 - O infante D. Henrique a participar na conquista de Ceuta. Painel de Azulejos presente na Estação Ferroviária de São Bento no Porto.
Direitos da Foto - Kali Group Travel

Sem comentários:
Enviar um comentário