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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

domingo, 18 de outubro de 2020

Poema nº 417 - A Cascata das Águas Furtadas


A Cascata das Águas Furtadas
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


A Cascata que era a Deusa das águas furtadas
Evaporou-se diante do silêncio imperscrutável
Sobrando o penhasco das lágrimas derramadas
Dos que abriram o coração ao inalcançável!

O monte é árido e não faz rimar a primavera
Mas até lá peregrinam sonhadores e poetas
Vítimas do tempo, dessa negação que é severa
Quando a paixão os obriga a serem ascetas!

Antigamente, a queda de água sarava os amantes
Chovia sobre os seus pobres corações rejeitados
Inspirando-os a conquistar as musas distantes!

As almas renovavam-se, e os amores nasciam
Extinguiam-se egos, preconceitos e más energias
E a cascata seria a mãe virgem dos laços que os uniam.




Poema nº 416 - Porque é que os Deuses não enviam sinais?


Porque é que os Deuses não enviam sinais?
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Porque é que os Deuses não enviam sinais
Quando o inexplicável é senhor do destino
Fazendo de nós humanos cobaias triviais
Folhas que sucumbem ao vento repentino?!

Selaram-nos para sempre no Outono existencial
Numa miscelânea de acasos e metáforas subtis
Em que o certo se perde na demanda do irreal
E os adultos renascem nos seus sonhos infantis!

Desde Adão e Eva que nos habituaram ao luto
Mas juro não entender a partida dos inocentes
Daqueles que tornaram o mundo mais impoluto!

Talvez tudo seja explicado por um plano superior
Algo que não esteja ao alcance do homem racional
Se assim for, a dor será, no fim, vencida pelo amor!





Arrangements Photography (Getty Images)

Poema nº 415 - Já vos disse que o vento tem voz?


Já vos disse que o vento tem voz?
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Já vos disse que o vento tem voz?
Que nos conforta nos dias tórridos
Beijando-nos no silêncio da foz
Ricocheteando em dialectos pródigos!

Não sei como ele é rei em vasto auditório
Adulando as praias, cortejando os campos
Galã temperamental sem dom moratório
Que confunde as virtudes dos recantos.

Mas quando se deprime no rigor invernal
Torna-se filho de Thor, aliando-se ao trovão,
E sopra, furtando flores à Natureza patriarcal!

Bastardo e incoerente, escrevem os homens:
O vento não acede a compromissos e tratados
É ele mesmo, genuíno e a força de mil jovens!





Poema nº 414 - As Pegadas dos Deuses Carnais


As Pegadas dos Deuses Carnais
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Decalcam-se as pegadas de Deus
E logo nascem vulcões insaciáveis
Que expelem lava até aos céus
Pintando as nuvens imperturbáveis!

Os trovões rasgam a terra virgem
Chovem labaredas sobre os oceanos
Ventos de cinza que a dor impingem
Sobre o leito dos homens insanos!

A floresta de Adão e Eva cai na extinção
Seremos fósseis embalsamados de Pompeia
E ninguém ficará para contar a provação.

O Apocalipse não foi a receita do Além:
Saiu das falácias dos deuses carnais modernos
Que da sua presunção, fizeram a Terra refém!




Poema nº 413 - Já dormi em cem mundos


Já dormi em cem mundos
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Já dormi em cem mundos
Mas só te encontrei num
Em que soberanos imundos
Não nos deixaram pão algum!

Tentei levar-te para outra vida
Mas enlouqueceste de ansiedade
E quiseste ser a minha foragida
Ancorada no sonho sem piedade!

Sozinho, abandonado pela quântica
Vagueei pelas palavras perdidas
Procurando o tesouro na semântica!

Como se uma esotérica frase em latim
Proferida, fizesse emergir o insólito portal
Que te prometi para driblar a lua de jasmim!




Imagem retirada algures do Google

Poema nº 412 - O Verão também tem dias frios


O Verão também tem dias frios
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


O Verão também tem dias frios
Momentos em que não sais à rua
Para iluminar as mentes dos vadios
Que se aconchegam no manto da lua!

O Sol deprimido pela tua ausência
Chora, debitando poemas nas cidades
Suplica, aguardando a tua clemência
Resguarda-se nos aposentos dos abades!

E tu, surpreendida por tamanha elegia
Adornas-te com um colar de âmbar
E uma túnica vibrante que a todos alivia!

Sais, e voltas a abraçar a luz do dia:
Os "mendigos" retomam as vidas normais
E o Sol regressa ao palácio repleto de heresia!




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://abstract.desktopnexus.com/

Poema nº 411 - Sonho das Almas Renascidas

 

Sonho das Almas Renascidas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Um dia seremos parte da epopeia universal
Não sei do paradeiro do paraíso prometido
Nem do idioma único que será transversal
A todos que retornarem do pó esquecido.

Quando voltarmos, será em forma de sonho
Onde todos viveremos sem o anjo da morte
Dançando por entre as órbitas planetárias
Ou surfando no cometa boémio da sorte!

Descendo à Terra, é como se ela ainda existisse
Seríamos árvores singelas que liberam frutos
Ou corais marítimos que Neptuno seduzisse.

E não sabemos de que afinal somos feitos
Porque a jornada é amante do mistério
E nós, a sua fórmula sem preconceitos.




Imagem retirada algures do Google

Poema nº 410 - Matriz Viking


Matriz Viking
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Desde o templo de Upsália
Thor lima as espadas
Odin glorifica os sacrifícios
Freia esparge o amor mágico,
E os fiordes rasgam
Os montes gélidos
Carregando a mística de Valhala
Que se imiscui no ambiente
Propagando a coragem
Pelos guerreiros indomáveis!
Homens e Mulheres
Ultimam o banquete dos deuses
Mas que venham primeiro
A adrenalina do combate
E as aventuras no estrangeiro!
Ragnar saqueia,
O rei Horik almeja o prestígio
E Leif Ericsen navega no desconhecido,
O drakkar é a serpente predadora
Que domina mares, rios e oceanos!
Troçando do Anjo da Morte,
Todos eles procuram as tempestades
Para que as sagas nórdicas dos escaldos
Se lembrem da sua ousadia para sempre!
Quando o tempo voltar para trás
Renascerão na sua Escandinávia
Por entre o nevoeiro pagão
Fintando as árvores e runas mágicas
E cantando até ao infinito
Derretendo todos os glaciares,
E quando isso acontecer
Lograrão remar para fora do planeta
Vencerão o impossível
Uma vez mais!
Só que, desta feita,
Encontrarão os seus deuses
A cear na imensidão do Universo.





Imagem retirada da Série Vikings

Poema nº 409 - Água Benta do Céu


Água Benta do Céu
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Um dia, faremos milagres
Criaremos uma água benta mágica
Que ficará alojada nas nuvens
E depois...
Surpreendentemente:
Choverão partículas ou moléculas
De propriedades mágicas
Que sararão feridas humanas
Fazendo rejuvenescer o planeta!
Os terrenos queimados serão reflorestados
Os rios correrão cristalinos
As emissões nocivas serão contidas
A matéria pura logo se regenerará
Sempre que algo tente corrompê-la!
O cancro e as radiações cairão no oblívio
A resignação depressiva será antagonizada!
Homens, animais e natureza
Receberão por igual o dom,
Não haverá exclusões
E todos venerarão os céus e as nuvens!
Pouco mais sei sobre essa era
Mas quando vier,
E se vier,
Deixaremos de fugir da chuva
Ou do desconhecido,
Seremos príncipes e súbditos
No império dourado derradeiro
Onde seremos curandeiros de nós próprios
E tutores do equilíbrio perfeito.





domingo, 28 de junho de 2020

Poema nº 408 - Indulto da Auto-Estima


Indulto da Auto-Estima
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Os céus indultam os órfãos da sorte
Após as barricadas do quotidiano
Que os convergem para o desnorte
Como notas dum descontrolado piano!

Purgam-se as virtudes e os sonhos
Semeiam-se espirais de impotência
E os querubins harpejam sons enfadonhos
Sem lhes consagrar qualquer deferência.

O segredo é a anarquia das constelações
A renegação da vaga idolatria do sucesso
O abraçar espontâneo das provações!

O sol molda-nos como sãs fortalezas
Pedras impenetráveis do destino
Imunes ao porvir das incertezas!





 Imagem meramente exemplificativa retirada de Deposit Photos

Poema nº 407 - Voluntariado Genuíno


Voluntariado Genuíno
(Soneto da autoria de Laurentina Piçarra)


Intuo-me na poncha de sangria:
Qual é a cor que refaz a tua alma
Quando te dedicas à filantropia
Descartando os holofotes da fama?!

Vozes ecoam pelos salões da elite
Quantos se gabam do seu mecenato
Com o glamour que se lhes permite?!
As esmolas sociais projectam o aparato!

Atolados em riquezas, dizem-se generosos
Articulam discursos florais para os aplausos
E banqueteiam os seus umbigos desejosos!

Mas tu, não: nas zonas esquecidas do mundo
Doas afectos, comida e abrigo aos pobres
Exoneras a tua identidade, o ego infecundo!




Imagem retirada da Agência Lusa (veja-se também: https://www.jm-madeira.pt/)

Poema nº 406 - Universo Racional


Universo Racional
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Se nunca existíssemos
Não haveria universo
Nem tempo ou espaço,
Nada se daria a conhecer!
O que importaria a matéria
Se fosse retalhada de insignificância?
Ou que as estrelas estivessem ausentes
Da apreciação racional?
Que o mundo fosse mundo
Sem albergar a poesia da vida
Os batimentos emocionais
E os templos sãos da Natureza!
Não sei o que a morte nos reserva
Mas vivi para conhecer uma realidade
Um excerto das crónicas eternas
Desse universo em expansão.
Se não tivesse chegado até aqui
Não poderia pensar sequer
E se pensasse nesse vazio dormente,
Não acreditaria em tal milagre!
Vivemos para morrer
Mas não morreremos sem primeiro viver,
E todos temos uma história
Por escrever e contar.
E o que é então o mistério da vida?
Será que o Universo é cego e mudo?
Que somos os anjos que o engrandecem?
Quem depende de quem?





Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google

Poema nº 405 - Esferas e Cilindros


Esferas e Cilindros
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Nada sei sobre gravidade e matemática
Não herdei o dom de Arquimedes
Nem nunca calculei a Circunferência da Terra
Como Erastótenes de Cirene!
No silêncio das esferas e cilindros,
Sentimentos circulam em espirais
Sem encontrarem uma saída
Porque tudo vai e volta
Como se não houvesse fim,
Mas como em tudo na vida
Há esferas incompletas
Cilindros com aberturas
Memórias artificiais
Oriundas do Nada
Que por ali ecoam
Traindo a geometria natural
Daqueles que traçam curvas íntegras
Laborando na matemática pura
Das verdades que nos sentenciam,
E por muito que fujamos do globo,
Ou da nossa esfera interior,
Pouco poderemos mudar,
Somos o que somos,
Mesmo que nos mintamos
A cada dia que passa
Até porque a geometria inacabada
É fácil de desvendar,
Mas quase impossível de completar
Quando não ressuscitamos a cada dia!




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://pt.aliexpress.com/i/32864111927.html

Poema nº 404 - Poeta do Bom Vinho


Poeta do Bom Vinho
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Poeta que é poeta
Bebe vinho, e do melhor,
Seja em cálices de pedra
Ou da mais modesta madeira,
Ritual que aquiesce labaredas
Inebriantes aos desejos das almas,
Que anseiam pelo significado maior
Da sua efémera existência.
A escrita tem de ser ardente
Sentida pelos prazeres de Baco,
Abraçada na anarquia do desconhecido,
Expressa ao mais ínfimo contacto
E cada verso tem de ser como um gole
Suave mas determinado
Que ouse tragar o líquido tinto
Combustível que no corpo desponta
Lavrando fogueiras de amor!
Vinhos existem para todos os gostos
Rótulos cada um os emoldura
Tudo é subjectivo para o provador
Que depois de um copo cheio,
Absorve o perfeito e o imperfeito,
Perdendo-se entre as metáforas
Da sua insigne poesia.





Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google

Poema nº 403 - Lençóis de Alma


Lençóis de Alma
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


A quem cedeste os lençóis
Que cobrem o teu espírito?
Se tu os consentiste a alguém
É porque te defines
Na mesma essência do teu convidado!
Não te sintas embaraçada
A matéria não é isenta de afecto
Sobretudo quando alcança o íntimo
Mas por favor, escuta-me:
Não deixes que mão ímpias
Te sujem ao ponto do irremediável!
Os lençóis não são apenas o teu corpo
São também as muralhas da personalidade
Que te moldam diante do exterior!
Não queiras ser de todos
O teu lençol será melhor cuidado
Se for apenas hábito de um visitante
Que viu em ti
O mais belo capítulo de um romance!
O teu lençol continuará na senda da alvura
Resistindo ao desgaste e às nódoas,
Valerá mais que mil tapetes persas
E mesmo assim, não estará à venda
Porque é só teu
E só emprestas
A quem te venera como deusa
Como uma taça de vinho
Que sacia a sede de um caravaneiro
Depois de atravessar o deserto.





Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://www.belltent.com.au/wooden-platform-bases-for-bell-tents/

Poema nº 402 - A Mulher do Candelabro


A Mulher do Candelabro
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Sempre que acendo as luzes do candelabro
Tu sobressais por entre os braços de cristal
Sem censurares qualquer ego obstinado,
Plasmando no meu rosto a tua vela celestial.

Iluminas-me, derretes os glaciares de frieza
Intrínsecos ao meu ser que vive do incerto,
Transformas os meus cacos em pura turquesa
Descobres que o tempo pode ser perpétuo!

Sinto uma corrente a mimar os meus cabelos
Um afago que provém de outra dimensão:
O teu primeiro toque perante os meus apelos.

A sala incendeia-se, as cortinas viram a labaredas
Os tapetes voam, e fazes de mim o teu Aladino,
Sumiremos apenas quando o sol acordar as alamedas!





Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://es.dreamstime.com/photos.../candelabro-rococo.html


Poema nº 401 - Fútil e Útil


Fútil e Útil
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Hoje o que é fútil
Amanhã poderá ser útil
E vice-versa,
O mundo não nos pede coerência
Porque tudo muda
Nada é eterno!
Será fútil alimentar um amor impossível?
Será útil planear um futuro sempre aleatório?
Será possível manter uma opinião até à morte?
Não me peçam respostas,
Não sou um conselheiro divino
Nem um vendedor de ideologias
Ensinaram-vos muito do que é útil
E esconderam-vos o fútil, o desinteressante,
Mas estes antónimos são amantes à noite
E não é porque os opostos se atraem,
Um dia veremos a Lua, pela última vez,
A nossa individualidade se libertará
Dos turvos espelhos moralistas
Que a sociedade materialista esboçou
E depois…
Não sei, ninguém sabe.
Sinto-me o ignorante-mor da "utilidade fútil"!




Imagem meramente exemplificativa retirada do Google

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Poema nº 400 - Olhares Transcendentais


Olhares Transcendentais
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Na minha vida
Já vi tantos olhares
Uns de amor
Outros de revolta,
Os inocentes
Os ternurentos
Os calculistas,
Todos me causaram um impacto
Distinto, inesperado
E já levo alguns anos disto!
A cor deles é um adorno palaciano
O azul do céu
O verde do rubi
O castanho das amêndoas
Simplesmente encantadores,
Mas eles não são apenas estéticos,
Expressam momentos
Emitem sentimentos
Hipnotizam corações!
Vale a pena contemplá-los:
A sua cor e a sua mensagem
Por muito tempo,
Seja através da amizade
Ou de um amor ardente!
A transparência não tem preço,
Os olhos também não,
Com eles miramos o que nos envolve
A paisagem e todos que nos inspiram
Mas também o oculto das almas!
Nas pinturas do Criador,
Conjugam eles o real e o irreal
A sabedoria e a beleza
O vulgar e o transcendental,
E como resultado final:
O milagre da nossa existência
E do seu improvável equilíbrio.




Imagem retirada algures do Google



Nota Adicional: Este foi o meu poema nº 400, abordando em parte os temas da transparência sentimental (sugerido pelo meu amigo Armando Folha) e da espiritualidade (Ana Roxo) que haviam sido propostos. Não poderia escolher todos os temas que me foram sugeridos pelos meus seguidores para assinalar este marco. No entanto, as outras sugestões serão utilizadas para poemas futuros. 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Poema nº 399 - Sonho da Simplicidade


Sonho da Simplicidade
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Num sonho peculiar
Viajei no tempo
Recuei até à adolescência,
Era de tarde:
Ela guiava o carro
À beira-mar
E eu, no lado do passageiro,
Observava pela janela
Uma multidão alegre
Que ora fazia praia
Ora caminhava pelos passadiços.
No banco de trás,
Seguia o meu melhor amigo
Também animado com o que via,
As aulas tinham terminado há pouco
E tudo era gratificante.
Senti-me tão realizado, tão vivo:
Os olhos azuis dela,
A sua pureza imaculada,
Nunca tive a coragem de lhe dizer!
Quando a boleia terminou
Despedi-me dela com tímidos acenos
E saí sorrindo
Juntamente com o meu amigo
Para assim contemplarmos o areal e o mar
E prosseguirmos a nossa conversa.
Tudo parecia ser um sonho lindo,
Quando acenderam a luz do meu quarto
E eu... acordei!
O tempo não volta para trás
Ela é hoje uma das almas da música
Ele é um técnico industrial de excelência
E eu ainda sou um sonhador
Mas há algo que eu redescobri em mim mesmo:
Não preciso de muito para ser feliz,
A praia e as amizades genuínas já significam muito
Pelo menos, para mim!




Poema nº 398 - A Ignomínia de Pôncio Pilatos


A Ignomínia de Pôncio Pilatos
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Não ouviste a tua mulher
Melindrada pelo pesadelo
De um julgamento injusto
Que presidido por ti
Ditaria a morte de um inocente?
Terias tu ouvido sobre o seu percurso
Desde a Galileia até Jerusalém?
Que Ele curou cegos e leprosos
E ressuscitou defuntos?
Porque cedeste a Caifás
E aos seus jogos de chantagem?
Após a tua sentença cruel
Lavaste as tuas mãos
À procura de uma purificação
Que nunca viveu em ti?
Pensaste quiçá que tinhas executado
Mais um judeu
Entre muitos outros
E que tudo cairia no esquecimento
Talvez até no espaço de uma semana...
Mas não,
O teu nome seria assombrado
Para a eternidade.
Porque não foi só mais um,
Mas sim o Tal,
A metáfora do Alfa e do Ómega da existência,
O Messias por qual todos ansiavam!
Contudo, uma coisa não poderias saber:
Sem a tua decisão infame
Jesus não teria ressuscitado
Não teria feito o sacrifício pela humanidade!
De uma coisa tenho a certeza:
Que o pagão Tibério jamais te perdoará
Mas Jesus sim,
Ele não veio para esmagar ou condenar,
Os verdadeiros reis são mesmo assim:
A opressão não é o caminho,
A herança eterna reside no perdão e no amor!





Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://www.toquecristao.com.br/



Nota Adicional: Poema redigido pela altura da Páscoa. Os versos aqui publicados lamentam a decisão tomada por Pôncio Pilatos que condenou um homem inocente e puro a uma pena cruel. O legado de Jesus Cristo deve inspirar-nos enquanto seres humanos.

Poema nº 397 - Lábios Maçónicos


Lábios Maçónicos
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Faltavam-me os teus lábios
Nos bastiões de sonhos arenosos
Onde soletras nos alfarrábios
Letras de capítulos cupidinosos.

Queria que o teu véu rosado
Fosse a cúpula do meu abrigo
Quando o sol disciplinado
Desse lugar à lua do mendigo.

Seríamos da maçonaria do amor
Invisível diante da luz da matéria
Aferida pelo rito do beijo silenciador.

Consultaríamos oráculos divinos
Que nos colocariam nas planícies
Lares platónicos dos anjos perdidos.




Quadro da autoria de Van Gogh (1853-1890), afamado pintor holandês. 

Poema nº 396 - Nómadas do Universo


Nómadas do Universo
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Se um dia
Formos nómadas do Universo
Como Carl Sagan sonhou
Espero que sejamos exploradores
Dos recursos virgens
Presenteados por planetas habitáveis
Mas não ocupados!
Se noutras constelações
Conhecermos novas raças
Mais desprotegidas
Que não as estrangulemos
Tal como fizeram aos ameríndios
Na época das Descobertas.
Se quisermos viver o auge
Temos de amar a Natureza
Difundir a apologia da paz
E não fazer dos outros cobaias!
Esqueçam o ouro ou a fortuna
Não destruam outras civilizações
Ensinem-nas,
Podereis ser os deuses delas
Que descem dos céus
Para trazer o progresso até ao seu mundo
Não através da colonização forçada,
Mas a partir de contactos cirúrgicos.
Povoem sim os planetas ermos
Porque é legítimo ocupar a terra de ninguém
Em vez de desterrar nativos
Que têm o direito a integrar a Criação!





Imagem meramente exemplificativa retirada do Google

Pensamentos Avulsos de XXI a XL


XXI

"Não queiras apenas ganhar ou ser um amuleto. No desporto, como em tudo, importa jogar ou fazer bem. Se és jovem, assimila a qualidade. Ganhar é depois a fase da mentalidade adulta".


XXII

"Se alguém te enviar uma mensagem carinhosa, nunca te esqueças de responder. A pessoa em questão abdicou do seu precioso tempo para desejar-lhe o melhor. A vida também é retribuição".


XXIII

"Se vires algo estranho, esgota primeiro as explicações lógicas ou racionais".


XXIV

"No Natal, todos querem ajudar os desamparados. Pena que a quadra só aconteça uma vez por ano. Ainda não assimilámos os ensinamentos dos profetas".


XXV

"Não ofendas religiosos e ateus. Tal como eles, nada sabes! A presunção é uma laranja amarga".


XXVI

"Não queiras o mundo. Abraça o suficiente. Poucos nasceram para serem reis".


XXVII

"Um animal de estimação: a cura da solidão".


XXVIII

"Não julgues os outros sem conheceres a história inteira e as versões de todos os lados. Conclusões precipitadas podem provocar feridas psicológicas sérias, caso cheguem aos ouvidos errados".


XXIX

"Quem é realmente bom não precisa de se gabar constantemente. As evidências valem mais do que palavras propagandistas".


XXX

"Planeta B? Um conto de fadas da ciência que sempre repudiou milagres. Será muito difícil de acontecer. Só há uma missão que lhe foi incumbida: salvar a Terra".


XXXI

"Ovnis? Ao início, na minha tenra juventude, tive essa crença, depois na Universidade perdi-a, mas hoje sinto que falta alguma peça no puzzle".


XXXII

"É tão fácil tomar o partido dos fortes. Assim, muitos ganham a vida. Mas eu sempre torci pelos mais pequeninos sem protestar. Serei eu um comunista anti-sindicalista? Ou um homem da direita que caminha torto? Não conheço a minha ideologia. É um dos meus dilemas interiores".


XXXIII

"Não sei porque tantos desaparecem no Triângulo das Bermudas. É um enigma da Mãe Natureza que faz do insólito e da sua imprevisibilidade a sua forma de se expressar".


XXXIV

"Apaixonar-me por uma personagem de uma série televisiva? Pensei que era impossível até me acontecer. Há coisas que só a utopia romântica explica".


XXXV

"Há escritores que sonham vencer um Prémio Nobel da Literatura. É um sonho legítimo, mas pouco acessível. Eu não peço isso, nem de perto. Apenas que alguns leitores apreciem os meus escritos que são genuínos".


XXXVI

"Prefiro pessoas frontalmente arrogantes e até ordinárias do que indivíduos sonsos ou dissimulados que apenas se movem na sombra, desconsiderando e difamando todos os outros que não partilham a sua forma de estar putrefacta".


XXXVII

"Já vi tantas mulheres bonitas, umas marcaram-me mais que outras; umas puderam estar anos a brindar os meus olhos com a sua formosura, outras apenas as pude mirar por quinze minutos; daqui a cem anos, ninguém se lembrará que elas eram tão magníficas e que eu fora delas a sua melhor testemunha".


XXXVIII

"A solidão é solo fértil para todo o tipo de cismas, aprisionando as pessoas no núcleo da negatividade. Elas sofrem, antecipam sempre o pior, ninguém lhes dá a devida atenção ou lhes acalma as suas intermináveis angústias".


XXXIX

"Se a vida de cada um fosse alvo de um filme, a maior parte de nós apresentaria uma produção aborrecida. Mas nem tudo é mau. Não nascemos propriamente para sermos encenadores, aceitamos a monotonia e, aliado a isso, o nosso ego habitua-nos a valorizar cada passo diário".


XL

"Não sou a favor da automatização e da robotização total da mão de obra. A extinção de milhares de postos de trabalho ou profissões hipotecará a sobrevivência da Humanidade e o próprio equilíbrio social. Terá que se encontrar um meio-termo, concretizando-se assim um futuro sustentável e inclusivo".



Pensamentos da autoria de Laurentino Piçarra






Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://towardsdatascience.com/

domingo, 12 de abril de 2020

Poema nº 395 - Linhas Incertas


Linhas Incertas
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Incertas são as linhas
Do livro da Humanidade
Não sei se Deus as escreve
Ou se é o sopro invisível do Universo!
Neste pequeno capítulo
Um vírus surgiu do nada
O cenário virou a drama
Milhares morreram
Muitos ficaram desempregados
Todo o mundo parou
Mas a ironia também se imiscuiu
Por entre os desabafos trágicos:
A poluição quase cessou
O buraco de Ozono diminuiu
Lembraram-se dos idosos
E dos sem-abrigo.
Talvez seja uma lição da Natureza
Ou de quem escreve o mundo
Nessa obra contínua e enigmática.
A mortandade foi cruel
E injustificável aos nossos olhos,
Porém, há uma receita pedagógica:
Talvez tenhamos de mudar
Os hábitos quotidianos
A forma de sociabilizar,
E aderir à sustentabilidade.
Não podemos alterar o escritor celeste
Que tem redigido sobre nós,
Bem ou mal
As letras são escolhidas por Ele
Ou pelo Deus de Espinoza,
Mas a pontuação depende de nós.
É altura de iniciar um novo parágrafo
Se possível,
Com mais vírgulas de prudência
E com pontos, capazes de travar desastres!





Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google



Nota Adicional: Este poema foi escrito atendendo ao contexto de disseminação do vírus COVID-19 pelo mundo. Há sempre uma lição a extrair a partir destas conjunturas mais adversas.

Poema nº 394 - Altamente Improvável


Altamente Improvável
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Ninguém controla o futuro!
Podem fazer planos
Mas o aleatório perdura:
Pode ser um vírus
Pode ser um equívoco político
Pode ser uma tempestade
Mas os árbitros do destino
Prevalecem sobre a finitude humana
Sempre frios e imprevisíveis!
Não interessa ter dinheiro ou poder
Ninguém está imune a isto,
Na democracia do inesperado
Todos estão sujeitos aos vaticínios
Sejam eles de sorte
Ou dramáticos!
Tudo pode acontecer
Ontem pobre,
Hoje rico,
Amanhã morto
E depois?
Ainda acreditam em videntes?
O invulgar nunca é previsto
O óbvio nem sempre dita leis,
O labirinto está sempre em construção,
Adicionando ou subtraindo os caminhos!
Afinal, o amanhã ainda é órfão de sabedoria
E a surpresa reside na sua essência!




Imagem meramente exemplificativa retirada do Google

Poema nº 393 - Universo Silencioso


Universo Silencioso
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Dizem que é silencioso e escuro
O Universo...
Que lhe enviam sinais
E ninguém responde.
Que as suas belas aguarelas
São na verdade quadros apagados
Sem vida,
Que nos induzem ao engano
De uma exploração sideral.
Não estejam certos de nada
É o que vos digo
Quando olho para o Firmamento
Sei que um segredo existe
Algures por essas galáxias
Mas não esperem a verdade
Vinda donde se omite tudo
Na verdade, somos simples peões
Numa realidade circunscrita
Mas isso pouco nos deve preocupar
O desconhecido pode esperar,
O nosso planeta não!





sábado, 11 de abril de 2020

Poema nº 392 - Lotaria da Vida


Lotaria da Vida
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Não há uma maldição terrena
Ou algum castigo perpétuo
Que nos foi sentenciado
Para expiar as nossas imperfeições!
A vida é magia do incógnito
Ou de um mestre superior!
O sentir, o viver, o amar
São a verdadeira herança:
Alvos certeiros da lotaria
Que acertamos ao nascer
Mesmo sem nada saber.
Não nos serve o estatuto de carpideiras
Porque o Universo conspira a nosso favor.
As inúmeras luas pomposas de Júpiter
Contrastam com a alma rochosa de Plutão,
Planetas grandes, planetas pequenos
Estrelas novas, astros velhos,
Asteróides imparáveis, meteoros minúsculos:
Tudo é diverso na sua essência
Tudo é igual no seu direito a existir.
Eles superintendem sobre nós
Mas nunca ganharam a lotaria:
Não sentem, não vivem, não têm identidade
Nós é que os miramos
Eles serão os nossos espelhos
Se nós quisermos brilhar como eles!




Imagem meramente exemplificativa retirada algures do Google

Poema nº 391 - Mulher da Atlântida


Mulher da Atlântida
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Num revirar de olhos
Tudo se desmorona
Templos, palácios e obeliscos!
Engolfado na narração trágica
Platão não se lembrou de ti
Nem do teu arco-íris
Que emanava as sete virtudes
Pelo povo atlante!
No momento, em que tratavas dos vasos
Cujas flores germinavam até aos céus
Subindo pelas paredes do teu lar,
Envergavas uma túnica de cetim
Manto inocente para o sacrifício colectivo
Ordenado por Poseidon!
Uma onda colossal omitiu-te do mundo
Furtou o teu sorriso contagiante
Que iluminava o planeta,
E o teu rosto amorenado
O artefacto mais belo
É agora um tesouro de um passado
Enterrado na espiral do oblívio!
Talvez sejas mais uma sereia
Perdida no harém do deus grego!
Quanto ao teu colar de pérolas
Reside hoje órfão de glória
Ocultado por entre as pedrinhas
De uma praia exótica das Bermudas.




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://mymodernmet.com/zofia-bogusz-sea-salt/

Poema nº 390 - Corona e a "doença" do Egoísmo


Corona e a "doença" do Egoísmo
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Chegou o vírus do mal,
E com ele,
Um inferno social:
Esvaziam-se as prateleiras alimentares
Lucram os laboratórios
E os produtores de máscaras
Emergem as profecias do apocalipse
E tudo se desmorona!
Nem uma quarentena de horas
Sabemos cumprir
Para nos resguardarmos
Do perigo inesperado!

No exterior
O consumismo é voraz
E tudo desaparece:
O arroz
Os enlatados
E o papel higiénico.
E estamos nós na Quaresma!
Não vos ensinaram princípios?
Partilha e altruísmo?
Querereis ser piores que o vírus?
Não vos bastará desinfectar as mãos
Se o vosso coração permanecer doentio.





Imagem meramente exemplificativa retirada do Google

Poema nº 389 - O Café da Alma


O Café da Alma
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


Nos confins do Além
Ammit devora os impolutos
Os que abdicaram do amor
Os que se corromperam pela matéria
Pobres humanos que se renegaram
Tornando-se em escorpiões do deserto
Agora desalmados no juízo final
Diante do Deus Anúbis e da Deusa Maat!
Mas quem bebeu do café da alma
Não desaparecerá:
Emergirá do Rio Nilo
O seu rosto será esculpido
No topo de uma esfinge.
Vivas faraónicas serão dadas
Aos que equilibraram o coração
Junto da pena leve
Na balança do Livro dos Mortos!
O café da alma
Grava em nós hieróglifos primitivos
Certamente genuínos,
E nos imbui da essência humana
O combustível que nos alimenta
A energia que nos purifica.
Ani, o célebre escriba egípcio,
Deixou-nos um papiro milenar,
Mas as gravuras de nada valem
Se os sentimentos forem esquecidos;
Não importa como nos pintarão,
Mas como nós nos pintamos até ao além!






Nota Adicional: Poema que tenta mesclar as virtudes necessárias para a salvação da alma com as tradições religiosas do Antigo Egipto. O café da alma é uma metáfora do amor genuíno. Nestes versos, faz-se ainda alusão ao Juízo Final daquela cultura ancestral, onde o coração do falecido deveria pesar tanto como a pena leve, na balança.

Poema nº 388 - Criptografia da Felicidade


Criptografia da Felicidade
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


No limiar do teu distinto ser
Uma dúvida te apoquenta:
A procura dum novo amanhecer
Ou a submissão na maré cinzenta.

A vida são apenas dois dias
Não cries densas nuvens
Nem as alegrias dantes fingidas,
Sal das tuas ideias insolúveis.

O incerto será sempre eterno
Mas sem um sorriso nos lábios
Serás refém do teu inferno!

Muda, se tiveres de mudar
Porém não exijas a perfeição:
Assim terás muito a acrescentar!




Imagem meramente exemplificativa retirada de: https://www.inspiringlife.pt/6-coisas-que-pessoas-com.../

Poema nº 387 - A Soma do Nada


A Soma do Nada
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)


Descobri-me nas estrelas mortas
Na luz tímida que claudica
Nos sons das luas absortas
Num sonho que o anseio debica!

Sou a corrente alternada de Tesla
Antecipo-me ao tempo frenético
Derreto os grilhões de qualquer cela
Alimento os furacões do mundo céptico.

Não me sinto um alienígena libertino
Mas o átomo primitivo da galáxia mãe
A nostalgia que cura o vulgar filistino.

Não sou um sábio, sou apenas o nada
O culminar de milénios de amnésia
Que abraçou o todo nesta jornada!




Fotografia retirada do Google Imagens

Poema nº 386 - As Sombras de Hiroshima


"As Sombras de Hiroshima"
(Poema livre da minha autoria)

Nos escombros
Da cidade apagada pelo capricho nuclear
Sombras de pessoas evaporadas
Demarcam o solo infernal.
O Enola Gay,
Anjo maquiavélico da morte
Sentenciara o destino de multidões
Transformando lares e escolas
Em crematórios.
A urbe de fundação portuguesa
Adormeceria por largos anos
Como Pompeia.
Os deuses não evitaram a tragédia
A glória dos homens sumiu-se
Por entre as brumas da destruição
Não sobrando qualquer redenção
Para os generais da finitude!
Que os espíritos dos nossos antepassados
Os antigos missionários de Hiroshima
Rezem pelos que partiram
E que intercedam perante os céus
Para que a bomba nuclear
Nunca volte a fazer parte da história.
Deixem as sombras descansar em paz:
Por favor,
Não as repliquem.





sábado, 11 de janeiro de 2020

Poema nº 385 - O Jardim de Confúcio


O Jardim de Confúcio
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Os olhos lívidos do jovem chinês
Manifestam-se na hora do luto
Confúcio chora pelo pai
Confúcio chora pela mãe
Confúcio chora pelo seu torrão natal
Ele vê a morte em todo o lado
Mas resiste ao jogo do poder
E à raiva dos guerreiros
Que ensombram a sua era!
A dor transforma-se em labor:
Apesar de correrem rios de desgosto
Nas suas veias impolutas
A natureza humana é ainda a sua fé!
Quando retorna à sua rotina
Ele cuida de um jardim
Preenchido por flores raras:
Uma chama-se integridade
Outra lealdade
A terceira, honradez!
Dizem que é um jardineiro social,
Um filósofo da moralidade
Que desafia as nuvens
Inimigas das plantações pacíficas!
Resta-nos aprender
Pegar numa simples pá
E cultivar as nossas flores.
O nosso jardim nunca será tão belo
Como o de Confúcio,
Mas isso pouco importa
As maiores estrelas do Firmamento
Não retiram brilho às demais!





Imagem retirada algures do Google 

Poema nº 384 - O Elefante de Aníbal


O Elefante de Aníbal
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)

Plasma-se no horizonte
A glória de Cartago
O estandarte do ancestral Magrebe
Que desafia a hegemonia romana.
Não é uma bandeira
Não é uma miragem
Mas sim o vigoroso elefante
Que carrega o supremo general
O filho de Amílcar Barca:
Aníbal, o estratega singular
Que destemido
Cruzou montes, serras e rios
Derrubando mitos e fantasmas!
Varrão, cônsul romano,
Ordena um ataque vasto
Na planície de Canas
Mas o elefante nada teme
Com as suas extensas presas de marfim
Varre a cavalaria romana
Esmaga a infantaria desnorteada
E eleva o seu senhor até à glória!
Guarda de honra fiel
Muralha móvel do sucesso,
Forçado a combater pelos homens
Sabe apenas que o anjo da morte o libertará
Do seu compromisso!
Em Zama, o céu chorará
O seu sangue derramado
E o de outros elefantes
Quando cem mil romanos
Liderados por Cipião
O cercarem,
Mas antes disso
Cederá
A cobertura final para que Aníbal
Se retire com vida
Primeiro para Cartago
E depois para a Ásia Menor.
Quem disse que a glória é só para os vitoriosos?
Aníbal e o seu elefante
Heróis improváveis da sua história
Como muitos outros anónimos
Então apagados dos manuscritos
Todos eles preferiram ser leões por um dia
Do que ovelhas para sempre.





Fresco do século XVI presente no Musei Capitolini em Roma. A imagem foi tratada por obtida e tratada por José Luiz Bernardes Ribeiro.