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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Poema nº 21 - O Assombrado Cais da Barrinha



O Assombrado Cais da Barrinha
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)


A poente da modesta estação de Esmoriz
Subsistiam os vestígios dum antigo cais
Uma estrutura outrora com o seu chamariz,
Embarcando gentes desde a lagoa até aos areais!

Pelo trajecto, pessoas reviviam serões joviais,
Enxergavam as margens pantanosas
E os resquícios da ponte dos imemoriais,
Deslizando assim sobre as águas ludibriosas. 

Mas ali agora encontrava-me eu numa gélida noite,
Mirava os morcegos em torno do cais destroçado
Onde um só barco moribundo pontificava o destino enguiçado!

Refém dos caniços, aquela plataforma pedia socorro
Mas jamais alguém a conseguiria realmente escutar,
Excepto os pássaros que nela ansiavam pousar!

Entretanto, um vulto negro deambulava pelas estacas
Entrava no barco, e remava-o até à infinidade sombria,
Trajando a escuridão com o seu ritmo mórbido!

Circundado por corvos e milhafres esfomeados
Ele semeava a destruição nos lugares que desflorava
Minando a vida dos pobres animais desnorteados!

Até em mim proliferava o medo, aliado íntimo da inércia!
E assim contra a vontade do meu espírito enérgico
Reinava na lagoa um príncipe oculto e maquiavélico!





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