O Assombrado Cais da Barrinha
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)
A poente da modesta estação de Esmoriz
Subsistiam os vestígios dum antigo cais
Uma estrutura outrora com o seu chamariz,
Embarcando gentes desde a lagoa até aos areais!
Pelo trajecto, pessoas reviviam serões joviais,
Enxergavam as margens pantanosas
E os resquícios da ponte dos imemoriais,
Deslizando assim sobre as águas ludibriosas.
Mas ali agora encontrava-me eu numa gélida noite,
Mirava os morcegos em torno do cais destroçado
Onde um só barco moribundo pontificava o destino enguiçado!
Refém dos caniços, aquela plataforma pedia socorro
Mas jamais alguém a conseguiria realmente escutar,
Excepto os pássaros que nela ansiavam pousar!
Entretanto, um vulto negro deambulava pelas estacas
Entrava no barco, e remava-o até à infinidade sombria,
Trajando a escuridão com o seu ritmo mórbido!
Circundado por corvos e milhafres esfomeados
Ele semeava a destruição nos lugares que desflorava
Minando a vida dos pobres animais desnorteados!
Até em mim proliferava o medo, aliado íntimo da inércia!
E assim contra a vontade do meu espírito enérgico
Reinava na lagoa um príncipe oculto e maquiavélico!
Imagem retirada de: http://microargumentos.blogspot.pt/2012/06/cais-abandonado.html

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