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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Poema nº 101 - Morte, Escuridão e Luz


Morte, Escuridão e Luz
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


Ouço o sussurrar da morte
Tento adivinhar os seus intentos,
Mas não sou Nostradamus,
Nem tampouco Pessoa
Nem sequer simpatizo com a má sorte
Que ceifa vidas humanas!
O anjo do último suspiro arrepia-me,
Segue ao longe no meu encalce
Com a sua inseparável foice,
Desferindo pelo caminho maquiavélico,
Golpes atrás de golpes:
Sem manifestar piedade pelos mais fracos,
Sem revelar qualquer zelo de justiça!
Como queria viajar para o reino do Preste João,
Esse lugar lendário e longínquo
Onde subsiste a fonte da eterna juventude!
Queria viver e ser infinito
E perpetuar os que me rodeiam
Como uma biografia sem capítulo final!
Queria tirar a "vida" ao anjo da Morte,
Queria envenená-lo com uma poção mágica,
Queria espancá-lo de raiva,
Mas a morte não tem vida nem dor,
E o anjo não passa de mero pó
Que reside na imaginação popular!
A morte é a porta da escuridão,
Da escuridão solitária e implacável
Que só poderá ser vencida pela luz
Daqueles que anseiam pela esperança:
Duma realidade superior,
Dum renascer nimboso num vindouro hospital,
Dum sonho eterno e lúcido
Onde nós próprios somos os encenadores!








Nota-extra:  O termo "nimboso" foi utilizado, não tanto no sentido de chuvoso ou pluvioso (embora pudesse metaforizar, a nosso ver, o choro dos bebés (re)nascidos), mas sim no de encoberto ou toldado, pois a reencarnação, a existir (o que obviamente não sabemos!), será sempre uma realidade encoberta ou dissimulada que foge ao nosso conhecimento, a qual apagaria assim as experiências anteriores doutras vidas. 

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