Golo de Eusébio
(Poema Livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Outrora houve um prodígio que elevou Portugal
Um cometa que cruzou os relvados
Um escultor que ergueu altares nos estádios
Um fura-redes que desafiou as leis da física
Um patriota que guiou a sua nação à glória
Um milagreiro que fez o Benfica vulgarizar o Real Madrid
Um futebolista de classe que sabia fazer dançar a bola
Como muito poucos idealizaram,
Até conseguir superar o guarda-redes adversário:
Uma, duas ou três vezes!
Homem de princípios, protótipo dum povo humilde,
Amado por carregar as esperanças duma imensa turba:
Eusébio era o Zeus do futebol,
Os seus raios eram golos de gala,
O seu panteão encimava o Monte Olimpo,
A Galáxia Olímpica dos atletas jubilados,
Esses mesmo que ousaram tornar-se deuses
Fintando o destino dos comuns mortais,
Namorando um trono no Céu dos Céus!
Os verdadeiros génios derrubam montanhas,
Obstáculos insuperáveis, colossos míticos,
São revolucionários perpétuos do futuro,
São lendas e ícones de epopeias singulares
Que edificam os pergaminhos da História!
Ainda hoje o vejo a arrancar com a bola atrás do meio campo,
Portugal empatado a três com a Coreia do Norte,
Lá vai ele numa corrida desenfreada,
Imparável, nada nem ninguém pode afrontar o Deus do futebol,
Passa com distinção por dois jogadores asiáticos,
E quando já se preparava para recitar um poema de amor à baliza
Sofre na área uma carga brusca do derradeiro oponente,
Contorce-se com dores, mas prontamente recupera:
Só ele poderia converter o castigo máximo em ouro lusitano,
Magia essa que permite a reviravolta mais fantástica
Do Mundial de 1966, onde Portugal fez reinar seu fado
Nas prósperas terras de Vossa Majestade!
A ti Eusébio, remato agora a minha dívida de gratidão
Porque eras o ídolo dum povo trabalhador
Que interrompia os seus turnos
Só para ter o privilégio de te ver:
A balançar magistralmente as redes
E gritar em uníssono:
"É golo de Eusébio, é golo de Portugal"!

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