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Nesta página electrónica, encontrará poemas e textos de prosa (embora estes últimos em minoria) que visarão várias temáticas: o amor, a natureza, personalidades históricas, o estado social e político do país, a nostalgia, a tristeza, a ilusão, o bom humor...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Poema nº 96 - No teu quarto perfumado


No teu quarto perfumado
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)


No teu quarto perfumado
De aromas afrodisíacos,
Deparei-me com a bênção de Vénus
Mesmo junto à cama encoberta pela cúpula
Onde te encontrei despida de preconceitos!
Prostrei-me diante da tua postura elegante
Os meus lábios escalaram o teu corpo belo mas sinuoso
Superaram eles as montanhas do medo
Resistiram à avalanche de intensos espasmos,
E trilharam o caminho para a maior das descobertas!
O percurso principiou-se no teu rosto 
Cândido, ternuroso e macio:
Meus lábios abraçaram os teus 
Numa telepatia de singular perfeição
Que supera a inteligência humana;
Os nossos olhos cúmplices se cruzaram
Como labaredas dum fogo descontrolado
Fruto da anarquia incondicional do amor!
Depois de colorir com beijos a tua face,
Enrolei os meus dedos nos teus cabelos lisos
Arquitectando os mais deslumbrantes caracóis.
Mas a jornada era ainda árdua e longa!
E o teu corpo repleto de inúmeros atalhos
Não fazia desvanecer em mim a esperança de te encontrar
Naquele verso erótico onde somos palavras que rimamos
Num encaixar corporal rematado por vibrações sem igual
Que nos faz ascender entrelaçados até aos Campos Elísios.
Mas para lá chegarmos, tinha de almejar a Floresta Mágica,
A região lendária que é só tua e que enfeitiça qualquer homem,
A mesma que oculta no seu interior um riacho transcendental
Onde por entre as suas estreitas e ditosas margens
A consciência se dissolve repentinamente como o sal
Substituída pelas correntes do supremo prazer
Que endeusam a plenitude humana!
Para lá arribar, atravessei em ti duas formosas planícies
Cada uma delas, dotada no topo da sua árvore mágica
Aí me entreguei a um culto pagão incessante
Onde nos teus altares me alimentei dos frutos proibidos
Para absorver as energias necessárias
E prosseguir nesta viagem imemorial!
Segui as indicações das estrelas e rumei a sul do teu corpo
Percorri as tuas terras férteis que não pareciam ter fim!
Sentia-me imperador do Universo, mesmo sem ter um exército!
Finalmente, depois de contornar uma cratera traiçoeira,
Os meus lábios alcançaram a tua Floresta Mágica,
Povoando-a de uma sedução ímpar,
Fazendo eclodir em ti os mais espontâneos gemidos
Efeitos imediatos do teu aprazível delirar!
Penetrei devagar no leito do teu tímido rio
Até me perder nas tuas águas cristalinas
Onde nadamos com infindável loucura
Procurando o clímax da nossa existência.
Parecíamos duas borboletas que giravam entre si,
Voando extasiadas em direcção ao céu,
Partilhando os mesmos olhares,
Os mesmos sentimentos,
Os mesmos sonhos,
Os mesmos encantos,
O mesmo futuro que nos quer eternamente abraçados!









Notas-extra - 1 - Cratera = umbigo; 2- Apesar de me referir no poema a uma "escalada corporal" dos lábios, as circunstâncias físicas narradas decorrem naturalmente com gradualidade/evolução descente, contudo não deixa, de qualquer das formas (e num sentido certamente mais psicológico, metafórico ou emocional), de ser uma "escalada" que visa a realização final de duas pessoas apaixonadas que se encontram ligadas pelo mesmo sentimento de amor mútuo. Foi precisamente este último prisma que quis ressalvar. O amor alcança sempre o seu respectivo auge, após uma longa "escalada".

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