Sobre o Inconformismo Sindical
(Poema livre da autoria de Laurentino Piçarra)
Admiro um sindicalista sensato
Que trate todos por igual
Públicos e privados,
Sem mendigar mediatismo
Com propostas ilusórias.
Agora os outros que querem antena
Mais parecem besouros insaciáveis
O seu zumbido inquieta-me!
Quando se tornarem alquimistas
E transformarem ferro em ouro
Numa demanda pela pedra filosofal
Eu serei o maior sindicalista
Que o país já viu,
Mas até lá
Não se iludam:
Não há petróleo em Portugal,
Não há robots para nosso repouso,
Não há dez Bill Gates na tecnologia,
Por isso,
Desçam do País da Alice das Maravilhas
Conheçam o que vos rodeia
E questionem-se:
De que adiantam aumentos salariais
E outras volumosas reivindicações
Se não há camas nos hospitais?
Ou comida suficiente nas escolas?
Querem fazer o telhado sem os pilares?
Que arquitectura social apregoam então?
Tende por certo que as pequenas vitórias
Por vezes, são as melhores,
Sem elas,
A matemática não vos mostrará clemência
Nem o povo
Beberá da poção da paciência!
Imagem retirada algures do Google
Nota-Extra: Este poema não pretende colocar em causa a existência e o legado do sindicalismo em Portugal e o seu papel histórico na melhoria das condições laborais, contudo muitas das exigências recentes têm-se pautado por excessos incompreensíveis que parecem estar desenquadrados da realidade. Estes versos alertam para a necessidade de uma maior moderação das reivindicações e numa estratégia de defesa igualitária dos trabalhadores públicos e privados.

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