A "enterradora" da aldeia
(Soneto da autoria de Laurentino Piçarra)
Num pequeno e abençoado aglomerado,
Vivia uma senhora sobejamente fatalista
Que farejava o odor de cada desgraçado
Confinado nas circundâncias da morte trocista.
Por antecipação, ela profetizava novo funeral,
Já se envergava de negro para o fúnebre evento:
Ainda o moribundo travava a batalha final
Sem qualquer motivação ou encorajamento.
Ela só cavaqueava sobre doenças terminais
Que enfatizavam a sua inconfundível morbidez
Diante da comitiva familiar que exigia placidez!
A sua língua devastadora e catastrófica
Simbolizava a pá melindrosa do cangalheiro,
Aguardando pois notícia de outro suspiro derradeiro.
Imagem retirada de: http://professorkibersitherc.blogs.sapo.pt/64161.html

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