Homenagem à Santinha Maria Adelaide (1835-1885)
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)
No Norte de Portugal uma menina nasceu
Para almejar os benévolos caminhos do Céu!
Uma nova e intensa luz que iluminou o universo
Com infindáveis obras, inenarráveis em verso!
Professou um eloquente estilo de rectidão
A sua virtude cintilava entre as monjas de Gaia
Carregando consigo a música da abnegação
Que a Deus encanta, e ao demónio desmaia!
Conheceu as vicissitudes do Porto tradicional,
Mas a frágil saúde a debilitaria sem piedade,
E, sob conselho médico, rumou a uma terra rural
Onde fez reinar a sua distinta simplicidade.
Arcozelo, terra apadrinhada por São Miguel,
Onde labora com rigor a lavradeira infatigável
Além do valente pescador portador do seu batel
Que serve à comunidade o pescado impagável!
Aqui Adelaide confeccionou rendas e pastéis
Reuniu dinheiro para acudir aos mais pobres
Mimou as crianças com gestos dóceis
E reconciliou casais com apelos nobres.
Em 1885, o seu inestimável espírito viajou
Aventurando-se eternamente pelo paraíso
Como uma estrela sorridente que regressou
À origem com um legado laureado e indiviso!
Mais de três décadas se galgaram sem novidade
O esquecimento ameaçava ocultar a verdade
Até que reabriram o seu modesto caixão
Achando seu corpo resguardado e incorrupto.
Milagre, clamaram ruidosamente os aldeãos!
Prenúncio duma inesperada canonização divina?
Desenterrada e venerada seria por inúmeros cristãos
Que unidos se prostraram diante da sua santinha.
Exibida em urna numa enfeitada capelinha
Muitos cumpriram aí as suas promessas
Outros atribuíram-lhe curas milagrosas!
Ela que ainda exala um aroma a rosas!

Sem comentários:
Enviar um comentário