Travessia pelo Deserto Emocional
(Poema da autoria de Laurentino Piçarra)
Deslumbrado pelo teu aroma,
Sim, por aquele perfume de alfazema
Que ainda libertas nesta breve cantilena
E que faz do amor um universal idioma
Colocando-te no trilho das minhas pegadas
Nunca fui digno da tua eloquência,
Somente um incapaz em juntar letras,
Alguém que chumbou na tua ciência,
E cuja insarável dor agora fretas
Neste deserto desprovido de essência.
Angustiado pela monotonia da ilusão,
Com o coração preso nos cactos cortantes
A despedaçar-se em migalhas insignificantes
Que serviam de alimento aos escorpiões,
Assim vivia neste terreno alheio à criação.
Mas o tempo revelou-se um sábio médico,
Ajudou-me a encarar a derrota e a vulgaridade
Da qual eu serei sempre parte flutuante,
Fintei os ventos da noite agonizante
E mirei um novo oásis, o da saciedade.
Imagem retirada de: http://claudioresponde.blogspot.pt/2014/10/o-deserto-que-sou.html

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