No banco dos Sonhos
(Quadras da autoria de Laurentino Piçarra)
As águas corriam muito suavemente,
A brisa convidativa atraía várias borboletas,
Num campo perto, as crianças colhiam violetas,
E eu sentado no banco com ar sorridente.
Uma tainha saltitava com energia,
As gaivotas entoavam a sua melodia,
As rãs, nos cantos, deslizavam agilmente
E eu sentado com postura benevolente.
Na outra margem, despia-se agora uma musa,
Que me apresentou a sua excelsitude universal
Desfilando agora no rio o seu estatuto imperial
E eu sentado no banco com desejo ardente!
Aqueles atributos físicos aperfeiçoados
Deixavam-me num estado impaciente,
Queria abraçá-la com carinhos concertados!
E eu sentado no banco com idealização picante!
Eu iria conquistá-la! Que belo sonho estava a ter,
Não fosse a picada dolorosa duma vespa divagante
A qual me acordou e privou de todo o deleite e prazer!
E eu agora sentado no banco com uma dor incessante!

Sem comentários:
Enviar um comentário